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Lula vai propor a Trump cooperação contra crime organizado e tráfico de drogas

Em entrevista para canal indiano, presidente afirmou que ampliará diálogo com Trump e defendeu uso de moedas locais no comércio entre países do Brics

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 13h38.

NOVA DÉLI* - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 20, durante entrevista ao canal India Today, da Índia, que pretende levar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propostas formais para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.

"Quero levar uma proposta formal ao presidente Trump quando nos encontrarmos", afirmou o presidente, em referênciaao encontro bilateral entre ambos, que o.

Segundo Lula, a cooperação entre os dois países deve envolver órgãos de investigação e fiscalização.

"Temos uma Polícia Federal muito especializada, uma Receita Federal muito preparada, e queremos trabalhar junto com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e com a Receita americana no combate ao tráfico de drogas", disse.

Além da pauta de segurança, o presidente disse que pretende tratar com Trump sobre minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a indústria e para a transição energética.

"O Brasil tem muitos minerais críticos e terras raras, mas não queremos transformar o território brasileiro em um santuário da humanidade", disse Lula. "Prefiro negociar de forma soberana para que o processo de transformação desses minerais críticos seja realizado e explorado no nosso país, dentro do nosso território, e não fora dele. E venderemos a quem quisermos vender".

Desdolarização do Brics

Durante a entrevista, Lula também comentou que uma possível desdolarização do comércio dos países que compõem o BRICS deve ser tratada como um processo gradual e de longo prazo.

Segundo Lula, não há qualquer discussão sobre a criação de uma moeda própria do bloco, mas sim sobre a ampliação do uso de moedas nacionais no comércio entre os países, quando isso for vantajoso para as partes envolvidas.

O presidente disse que o objetivo é reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais, sem defender o fim da moeda americana como referência global.

"Estamos estudando mecanismos para ter mais comércio em moedas locais. A economia dos Estados Unidos é uma economia muito importante, mas não podemos ser reféns de uma moeda só", afirmou

Lula afirmou que não faz sentido que acordos comerciais entre países como Brasil e Índia dependam de transações intermediadas pelos Estados Unidos e defendeu que o uso de moedas locais seja construído de forma progressiva, levando em conta os riscos cambiais e as dificuldades operacionais.

"Eu não defendo que seja necessário haver um acordo comercial entre Brasil e Índia que passe pelos Estados Unidos. O que eu defendo é que possamos usar outras moedas no comércio. Isso é um passo de cada vez. "Ninguém deve ser obrigado a depender do dólar, mas não pode desfazer esse sistema do dia para a noite", afirmou Lula.

Exemplo Brasil-Argentina

O presidente disse que a discussão sobre o uso de moedas locais não é nova e lembrou que, em seu primeiro mandato, Brasil e Argentina criaram um sistema para permitir transações entre pequenas e médias empresas usando moedas nacionais.

Segundo Lula, "é preciso levar em conta as dificuldades e as variações".

O que eu acredito é que muitos países já estão pensando nisso há algum tempo. No meu primeiro mandato no Brasil, nós estabelecemos com a Argentina um sistema de uso de moedas locais no comércio entre pequenas e médias empresas brasileiras e argentinas", afirmou.

Lula afirmou que o debate precisa considerar os impactos para cada parceiro comercial e reconheceu que os Estados Unidos veem com preocupação qualquer iniciativa que reduza a centralidade do dólar no sistema financeiro internacional.

"O que é mais vantajoso para o Brasil e o que é mais vantajoso para cada país que negocia com outros países? Entendemos os receios que eles expressam sobre o impacto disso nos países", disse o presidente.

Segundo Lula, a alternativa em debate é ampliar o uso de moedas nacionais em negociações bilaterais com parceiros estratégicos, como China e União Europeia, como forma de reduzir riscos e impactos no comércio internacional.

*O jornalista viajou a convite da ApexBrasil

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