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Lula sugere a Trump criar grupo de países na América Latina para combater o crime

O presidente brasileiro afirmou que o encontro com Trump foi proveitoso e tratou de assuntos considerados tabus entre os países, como o crime organizado

Lula e Trump: O encontro durou quase três horas, a portas fechadas (Ricardo Stuckert/Flickr)

Lula e Trump: O encontro durou quase três horas, a portas fechadas (Ricardo Stuckert/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 7 de maio de 2026 às 16h52.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 7, que sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul para combater o crime organizado.

"Não é hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado. É uma coisa que precisa ser compartilhada com todos. E o Brasil tem expertise, com uma extraordinária Polícia Federal", disse Lula.

A fala ocorreu na embaixada brasileira em Washington após o encontro entre o petista e o mandatário americano, na Casa Branca.

Lula disse que é preciso colocar a "verdade na mesa" e criar um grupo para que todos trabalhem juntos. Ele citou que parte das armas que chegam ao Brasil sai dos Estados Unidos, além de afirmar que a lavagem de dinheiro de criminosos brasileiros é feita em estados americanos.

"Podemos resolver em anos o que não se resolveu em séculos", disse.

O presidente brasileiro afirmou ter dito a Trump que a estratégia americana de combater o crime organizado e o tráfico de drogas com base militar dentro de outros países não apresenta resultados.

Ele defendeu que é preciso criar alternativas econômicas para a população dos países que produzem drogas.

"Como um país vai deixar de produzir coca [cocaína] se não oferecemos uma alternativa de outro produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?", disse.

Lula afirmou que os países precisam incentivar o plantio de "outras coisas" e que as nações comprem esses produtos.

"Se não, enquanto houver gente necessitada de recursos e consumidores, o mundo não vai parar de ter droga de tudo quanto é lado", afirmou.

O petista iniciou a fala afirmando que o encontro foi um "passo importante" na consolidação da relação democrática histórica entre o Brasil e os Estados Unidos.

Ele disse que assuntos considerados tabus foram tratados pelos presidentes e ministros dos dois países.

"Eu já havia dito ao presidente Trump, na Malásia, que as duas maiores democracias do hemisfério dariam exemplo para o mundo", disse.

Lula chegou à Casa Branca, em Washington, às 11h21 (12h21 em Brasília). A agenda inicial previa uma reunião de 30 minutos e uma conversa com a imprensa.

O encontro durou quase três horas, a portas fechadas. Eles não falaram com os repórteres no Salão Oval, como costuma ocorrer após reuniões de trabalho.

Terceiro encontro entre Lula e Trump

Esse é o terceiro encontro presencial entre Lula e Trump. O petista e o americano se reuniram nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU. Após a conversa, os dois disseram que houve uma "química" entre eles.

Os dois presidentes tiveram uma reunião presencial em outubro, na Malásia, que transcorreu bem. Na época, o governo americano recuou de mais medidas contra o Brasil.

No ano passado, Brasil e Estados Unidos tiveram o pior momento da relação diplomática.

Em julho de 2025, o governo Trump anunciou uma tarifa de importação de 50% a produtos brasileiros, além de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

As medidas tinham como objetivo pressionar o Brasil a cancelar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

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