Lula promete conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia em seis meses

Um acordo que leve em consideração a necessidade do Brasil voltar a se reindustrializar, porque não podemos permitir compras governamentais se não prejudicamos as pequenas e médias empresas", disse Lula
A declaração foi feita em entrevista ao Canal Rural (Alexandre Schneider/Getty Images)
A declaração foi feita em entrevista ao Canal Rural (Alexandre Schneider/Getty Images)
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Estadão ConteúdoPublicado em 21/09/2022 às 21:16.

O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou em entrevista ao Canal Rural que irá concluir o acordo entre Mercosul e União Europeia em seis meses.

"Posso garantir uma coisa: se ganhar as eleições, nos primeiros seis meses vamos concluir acordo com União Europeia. Um acordo que leve em consideração a necessidade do Brasil voltar a se reindustrializar, porque não podemos permitir compras governamentais se não prejudicamos as pequenas e médias empresas", disse Lula.

A política ambiental do Brasil é um dos principais motivos apontados pelos parlamentares europeus para manter o acordo sem andamento. "A gente precisa desse acordo. Chegamos perto de fazer um acordo. Estamos dispostos a concluir (acordo) porque temos o que vender, temos produtos competitivos, sobretudo na agricultura. Se depender de mim, vamos vender tudo que produzimos lá fora e não vamos ceder às exigências. Vamos negociar", afirmou.

Sobre desmatamento legal, permitido em determinadas porcentagens conforme cada bioma pelo Código Florestal Brasileiro e refutado por países europeus, Lula declarou que "ninguém é contra". "Está na lei que, se você comprar um terreno na Amazônia, 80% da terra tem de ser preservada", comentou Lula.

O ex-presidente disse também que o Brasil é "soberano" e não tem de se subordinar aos europeus, que estão exigindo produtos livres de desmatamento. "Mas eles também não podem fazer o que a gente quer. Eles disseram não. Nós temos que criar condições para eles dizerem sim. É um processo de negociação", argumentou Lula.