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Lula: Não quero ministério para mim, mas para forças políticas que me ajudaram a ganhar a eleição

Presidente adia nomeação de nomes aguardados para ministérios do próximo governo, mas afirmou ter 80% dos ministérios "na cabeça"

 (Reprodução / YouTube/Reprodução)

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Alessandra Azevedo

Publicado em 2 de dezembro de 2022, 12h48.

Última atualização em 2 de dezembro de 2022, 14h04.

Em entrevista nesta sexta-feira, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva jogou mais incerteza sobre as aguardadas escolhas ministeriais em seu governo. Lula afirmou que não escolheu ministros, mas que está em processo de conversa com "todas as forças políticas".

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O presidente eleito disse que começará a indicar os ministros depois da diplomação, marcada para 12 de dezembro. "Tenho 80% do ministério [os nomes que comporão as pastas] na cabeça", afirmou, em coletiva de imprensa no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília.

Lula disse que não pode "dar um passo para frente e voltar atrás" e que, por isso, não tem pressa de anunciar os nomes. "A gente governa com quem ganhou. Tem que conversar com deputados eleitos para que a gente possa construir as mudanças que quer no país. Semana que vem temos conversa com partidos menores", acrescentou.

Ministérios

Sobre o próximo ministro da Fazenda, Lula disse apenas que o escolhido "será a cara do sucesso do meu primeiro mandato", iniciado em 2003. Ele lembrou que governou o país duas vezes, com bons índices econômicos, e que "sabe o que é bom para o povo e para o mercado".

Apesar de não ter citado nenhum dos nomes cotados para as pastas, Lula disse que a base dos ministérios será a mesma que ele tinha no segundo mandato presidencial, com o acréscimo do Ministério dos Povos Originários, que pode ser uma Secretaria Especial ligada à Presidência. O assunto será discutido com lideranças indígenas.

Haverá ministérios da Pesca, da Mulher, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos, entre outros. Lula confirmou que a ex-senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, não será ministra. Ele disse que o fato de não nomeá-la é um "reconhecimento" de seu papel dentro do PT. "Ser presidente do PT é tão ou mais importante do que ser qualquer ministro."

PEC da Transição

Lula disse estar "convencido" de que conseguirá aprovar a PEC da Transição no Congresso, mas se mostrou aberto a eventuais negociações. "Espero que o Congresso Nacional, Câmara e Senado, tenham simplesmente sensibilidade e possam votar do jeito que nós queremos. Se precisar ter um acordo, nós também sabemos negociar", afirmou.

A proposta prevê a retirada do Bolsa Família (atual Auxílio Brasil) do teto de gastos por quatro anos e a abertura de espaço orçamentário para outras despesas consideradas essenciais pelo novo governo. "Não é uma PEC do Lula. O que estamos fazendo é repor o Orçamento que ele [Bolsonaro] deveria ter colocado", disse o presidente eleito.

Lula não citou um valor mínimo que poderia ser negociado para aprovação da proposta. "O que me interessa é a PEC que nós mandamos. Essa PEC já foi conversada com o presidente da Câmara, com o presidente do Senado, várias lideranças. Até agora, não há sinal de que as pessoas queiram mudar a PEC", acrescentou.

Segundo ele, as pessoas sabem que "o Brasil precisa dessa PEC" para investir no Minha Casa, Minha Vida, no Sistema Único de Saúde e outras ações "imprescindíveis para o povo brasileiro". O petista ressaltou que "é importante que o Estado cuide das pessoas mais pobres".

Orçamento secreto

Perguntado sobre como pretende lidar com o Orçamento secreto, criticado durante a campanha eleitoral, Lula disse que a definição das emendas parlamentares "não pode continuar da forma que está". Ele evitou detalhar o que pode ser feito, já que o assunto está no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Sempre fui favorável que deputado tenha emenda, mas é importante que ela não seja secreta. Que seja dentro da programação de necessidades do governo e liberada de acordo com interesses do governo. Não pode continuar da forma que está", afirmou.

'Bombas armadas'

"Se tiver bomba armada, somos especialistas em desarmar. Não vamos deixar explodir", disse Lula, em relação a medidas tomadas pelo governo atual, que, segundo ele, tenta esvaziar a Petrobras, o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Há uma "tentativa de não deixar nada para nós", afirmou.

"Sei que não vou encontrar coisa boa, mas eu sabia que ia acontecer isso", acrescentou o presidente eleito. "O BNDES devolveu R$ 560 bilhões ao Tesouro, dinheiro que poderia ser investido no financiamento de pequenas e médias, que poderia ser para obras e saneamento básico", citou.

Em relação ao valor que será proposto para o salário mínimo, Lula disse que voltará a ter aumento real (acima da inflação) pela primeira vez "em muitos anos". "Todo ano terá aumento real do salário mínimo. O crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] será repartido entre a sociedade brasileira", afirmou.

Ida aos EUA

Lula não confirmou quando viajará para encontrar o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mas ressaltou que a viagem só pode acontecer depois da diplomação, marcada para 12 de dezembro. Segundo ele, na segunda-feira, 5, um representante de Biden virá ao Brasil discutir a data.

"Penso que nós [Lula e Biden] vamos conversar política. Quero conversar relação Brasil-Estados Unidos, o papel do Brasil na nova geopolítica mundial. Quero falar da guerra da Ucrânia, que não há necessidade de ter guerra", disse Lula.

O presidente eleito considera que há muito o que conversar, porque os dois países "padecem de uma necessidade democrática" depois dos governos de Jair Bolsonaro, no Brasil, e Donald Trump, nos EUA. "O estrago que Trump fez na democracia americana é o mesmo estrago que o Bolsonaro fez no Brasil", afirmou.

 

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