Montagem com o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (Divulgação)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 07h31.
Uma pesquisa nacional do Instituto Paraná Pesquisas mostra um cenário de polarização consolidada entre nomes já conhecidos do eleitorado, ao mesmo tempo, em que abre espaço para o crescimento de figuras menos rejeitadas, mas ainda pouco populares.
O levantamento ouviu 2.080 eleitores em 160 municípios entre os dias 25 e 28 de janeiro e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08254/2026 e foi divulgado nesta sexta-feira, 30.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o nome mais conhecido do país: 82,1% dos entrevistados dizem conhecê-lo bem, e apenas 1,9% afirmam nunca ter ouvido falar do petista.
Entre os que conhecem Lula, 31,5% dizem que votariam com certeza nele para a Presidência — a maior taxa entre os nomes testados. No entanto, o atual presidente também lidera em rejeição: 45,3% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum.
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) é conhecido por 87,6% dos eleitores, embora apenas 34,9% afirmem conhecê-lo bem. Seu índice de voto consolidado é de 26,3%, enquanto 44,7% dos entrevistados rejeitam totalmente a possibilidade de votar nele.
Dois governadores da direita testados na pesquisa — Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Junior (PR) — aparecem com desempenho mais tímido, mas com potenciais eleitorais.
Tarcísio é conhecido por 77,2% dos eleitores, mas apenas 15,1% afirmam que votariam com certeza nele. Por outro lado, 48,1% dizem que poderiam votar, e a rejeição é menor: 36,1%.
Já Ratinho Junior tem o menor índice de conhecimento: 31,3% da população afirma não conhecê-lo, e apenas 18,9% dizem conhecê-lo bem. Apesar disso, 60% dos entrevistados afirmam que poderiam votar nele — o maior percentual entre os nomes testados. Apenas 5,3% votariam com certeza, e 33,8% o rejeitam completamente.
O comparativo direto dos quatro nomes ajuda a entender o equilíbrio de forças. Lula tem o maior voto consolidado (31,5%) e a maior rejeição (45,3%). Flávio Bolsonaro aparece em seguida, com 26,3% de voto consolidado e 44,7% de rejeição.
Tarcísio tem 15,1% de apoio firme e rejeição de 36,1%. Ratinho Junior, embora pouco conhecido, é o que tem maior campo de aceitação: 60% dos eleitores afirmam que poderiam votar nele, enquanto sua rejeição é de 33,8%.
Os dados segmentados da pesquisa revelam padrões já observados em pleitos anteriores, mas também apontam nuances importantes do cenário eleitoral de 2026.
O presidente Lula mantém seu principal reduto de apoio entre eleitores com menor nível de escolaridade. Entre os que possuem apenas o ensino fundamental, 40% afirmam que votariam com certeza no petista, percentual bem acima da média geral.
O mesmo ocorre entre os que estão fora da População Economicamente Ativa (PEA), onde Lula alcança 36,5% de voto consolidado — um reflexo da identificação histórica com camadas mais vulneráveis do eleitorado.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, mostra desempenho mais forte entre homens e pessoas com escolaridade média. Entre os eleitores do sexo masculino, 32,8% afirmam que votariam com certeza no senador.
Ele também se sai melhor entre os que concluíram o ensino médio, com 29,3% de apoio consolidado, sinalizando um apelo mais forte entre trabalhadores urbanos de perfil conservador.
Já os governadores Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior têm maior receptividade entre os eleitores mais jovens e com escolaridade intermediária.
Tarcísio se destaca entre os entrevistados com ensino médio (15,3% votariam com certeza e 54,2% poderiam votar), além de ter um desempenho acima da média entre eleitores de 25 a 34 anos.
Ratinho Junior, embora menos conhecido, apresenta um perfil semelhante: atrai eleitores mais jovens e tem sua maior taxa de “poderia votar” entre os mesmos grupos, o que sugere um espaço de crescimento relevante se conseguir aumentar seu nível de exposição.