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Lula diz que áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro é caso para PF: ‘A verdade tarda, mas não falha’

Críticas do presidente ocorrem após site apontar negociações entre senador e o banqueiro Daniel Vorcaro para repasse de US$ 24 milhões para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 14 de maio de 2026 às 17h17.

Última atualização em 14 de maio de 2026 às 17h19.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 14, que as conversas entre Flavio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro devem ser apuradas pela Polícia Federal (PF).

Sem citar diretamente o senador, Lula evitou comentar o conteúdo dos diálogos, revelados na quarta-feira pelo site The Intercept Brasil. As mensagens mostram que o parlamentar do PL solicitou recursos a Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Não vou comentar, é um caso de policia, não é meu, não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então vá na primeira delegacia da PF e pergunta como será tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, da Petrobras".

A nova pesquisa AtlasIntel após áudio do Flávio Bolsonaro com Vorcaro

A declaração do presidente sobre o caso durante visita ao Polo Industrial de Camaçari, na Bahia, após ser questionado por jornalistas.

Mais cedo, também em Camaçari, ele afirmou que “a verdade tarda, mas não falha”. A declaração ocorreu durante agenda de vistoria a obras do programa Minha Casa Minha Vida.

"Vocês estão vendo na televisão, a verdade tarda, mas não falha", disse o presidente.

Críticas do PT

Em publicação no Instagram, o PT associou a declaração de Lula às denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro. “Lula acaba de comentar o escândalo Bolsomaster e as revelações sobre a relação íntima dos Bolsonaro com Daniel Vorcaro”, escreveu o partido ao compartilhar um vídeo com trecho do discurso do presidente.

A sigla também republicou o áudio enviado por Flávio Bolsonaro ao banqueiro e mobilizou apoiadores para ampliar a circulação dos diálogos nas redes sociais.

Integrantes do PT avaliam que o episódio pode ampliar o desgaste político do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, principal adversário de Lula no cenário eleitoral.

Relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira, 13, pelo Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL) negociou um repasse de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a publicação, a negociação ocorreu diretamente com o dono do Banco Master. O valor seria destinado à produção de “Dark Horse”, longa inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro.

A reportagem afirma ter tido acesso a áudios, mensagens, documentos e comprovantes bancários relacionados às tratativas entre os envolvidos no projeto cinematográfico.

Os documentos apontam que ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, já foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025. Segundo o Intercept Brasil, os pagamentos ocorreram em seis operações bancárias destinadas ao financiamento da produção.

O filme “Dark Horse” é descrito como uma cinebiografia baseada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Até o momento, não foram divulgados detalhes adicionais sobre elenco, direção ou previsão de lançamento do projeto.

'Dark Horse': tudo sobre o filme de Jair Bolsonaro

A publicação também relata que os materiais analisados incluem registros financeiros e conversas atribuídas aos participantes da negociação. O conteúdo faz parte da apuração divulgada pelo veículo nesta quarta-feira, 13.

As transferências identificadas pela reportagem teriam ocorrido ao longo de quatro meses, entre fevereiro e maio de 2025.

Segundo o Intercept Brasil, os documentos reunidos na investigação incluem comprovantes bancários, mensagens e arquivos de áudio ligados às negociações para financiar o longa “Dark Horse”.

A reportagem aponta que os recursos negociados seriam usados para viabilizar a produção cinematográfica inspirada na carreira política de Jair Bolsonaro.

Pedido de prisão preventiva

Deputados do Partido dos Trabalhadores, PSOL e do PCdoB apresentaram uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal (PF) contra o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), após o vazamento de áudios envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A iniciativa dos parlamentares foi antecipada ontem pela EXAME. No documento, os integrantes das siglas pedem a instauração de um inquérito policial, em coordenação com o Supremo Tribunal Federal (STF), contra o Flávio Bolsonaro. Além de supervisão de medidas cautelares por parte da Corte em relação ao senador.

A representação é assinada pelos deputados Pedro Uczai (PT), Jandira Feghali (PCdoB) e Tarcísio Mota (PSOL). Contradições de Flávio e aliados sobre relação com Vorcaro e dinheiro ampliam crise na campanha

"Diante do exposto, requer-se à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) a instauração de inquérito policial pela Polícia Federal ou de procedimento investigatório criminal no âmbito da Procuradoria-Geral da República, com comunicação ao Supremo Tribunal Federal em razão do foro por prerrogativa de função de Flávio Bolsonaro".

Os membros das siglas também solicitam representação à PF e STF e requerimento da PGR da prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. O documento também pede pelo confisco do passaporte do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e bloqueio de qualquer contato com o dono do Banco Master, atualmente detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, e outras pessoas próximas.

"A representação e o requerimento de medidas cautelares de entrega de passaporte, proibição de deixar o país, proibição de contato com Daniel Vorcaro, produtores, investidores, intermediários, testemunhas e demais investigados".

Os deputados pedem também a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Além da expedição de mandados de busca e apreensão em endereços residenciais, empresariais e profissionais associados aos envolvidos. Incluindo o bloqueio 'de bens, valores, ativos financeiros, criptoativos e participações societárias dos investigados, em montante suficiente para resguardar eventual reparação, perdimento e responsabilização'.

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