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Lula diz a senadores ser contra ideia de Pacheco de acabar com a reeleição

Presidente se manifestou sobre o tema em confraternização com o presidente do Senado e líderes partidários; presentes no encontro ressaltaram tom ameno da reunião apesar de divergência

Além de Lula, a ideia já foi criticada pela presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), que classificou a iniciativa como "oportunista e retrocesso (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Além de Lula, a ideia já foi criticada pela presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), que classificou a iniciativa como "oportunista e retrocesso (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Agência o Globo
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Publicado em 6 de março de 2024 às 10h24.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a senadores ser contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a reeleição para cargos no Poder Executivo. Em confrarternização com parlamentares e ministros no Palácio da Alvorada na noite dessa terça-feira, argumentou considerar um mandato só como pouco tempo para um presidente governar.

A iniciativa de acabar com a reeleição é articulada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o texto deve ser apresentado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI). Ambos os parlamentares estavam presentes no evento em que Lula criticou a ideia.

Pacheco já disse em mais de uma ocasião que o instituto da reeleição não faz bem para o país. Defensores da proposta dizem que o mecanismo deixa os políticos em estado de campanha permanente.

Além de Lula, a ideia já foi criticada pela presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), que classificou a iniciativa como "oportunista e retrocesso". Como forma de responder as críticas, Pacheco tem ressaltado que a medida só valeria a partir de 2030, o que não impediria Lula de concorrer a reeleição em 2026.

O assunto, no entanto, conta com apoio de parte da base do governo no Senado, como o do próprio líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), que disse na semana passada ser favorável à proposta. A fala do senador petista chegou a provocar uma nova reação da presidente do PT, que disse que a posição do parlamentar não é a do partido.

Apesar da divergência, senadores presentes no encontro disseram que o tom do evento foi ameno e houve troca de elogios entre o presidente, Pacheco e parlamentares da base.

Vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rego (MDB-PB) classificou a confrarteniazação como "bem leve, tranquila, amistosa e espontânea".

— Ficamos bem à vontade durante as duas horas, duas horas e meia que passamos lá — declarou.

O emedebista também disse que o presidente agradeceu aos votos que os parlamentares deram para iniciativas de interesse do Palácio do Planalto.

— O presidente Lula fez questão de ressaltar essa posição dessa base que o apoia, que não criou estremecimentos, não gerou arritmias, que discutiu, divergiu, mas votou. Tanto é que os dados mostram por si essa vinculação.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) também revelou ter recebido um pedido de Lula para que convença Pacheco a ser candidato ao governo de Minas Gerais em 2026. Como mostrou o GLOBO, de olho no seu futuro político, o presidente do Senado mantém uma relação próxima com o presidente, mas sem fechar as portas a adversários do PT.

— Ele (Lula) chegou para mim e disse: 'Otto, você que é o PSD, dá um jeito de convencer o Pacheco a ser candidato em Minas em 2026'. Eu disse: 'Presidente, deixe comigo, que tenho fronteira com a Bahia e sou capaz até de transferir meu título de eleitor para votar no Pacheco' — contou o senador em entrevista à GloboNews.

No evento, Pacheco disse que Lula foi o candidato certo na hora certa e que sua participação na eleição de 2022 foi essencial para manter a democracia. O senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, pediu uma aproximação maior do presidente com os parlamentares e cobrou mais eventos como o de ontem. O parlamentar do União é candidato à sucessão de Pacheco na presidência do Senado. A eleição interna está marcada para fevereiro de 2025.

Lula também aproveitou sua fala para chamar atenção para o projeto que regulamenta o exercício da profissão de motorista de aplicativo. A ideia foi promessa de campanha do petista em 2022 e é considerado um assunto prioritário do governo no Congresso neste ano.

– Citou essa questão dos motoristas de aplicativo. Apresentou como uma coisa muito boa, muito criativa. É a primeira vez que se faz isso, a pessoa é autônoma, mas tem um vínculo e vai contribuir com a assistência social com 7,5% e os donos do aplicativo, com o acordo que foi feito, vão contribuir com 20% com a Previdência Social – disse o senador Marcelo Castro.

Castro foi um dos que discursaram no evento e disse que, além da economia, o governo devia se preocupar em estabelecer uma comunicação mais eficiente de sua atuação.

– Não critiquei ninguém, mas chamei a atenção de que hoje é importantíssimo ter esse olhar para a comunicação.

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