Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva e o Advogado Geral da União, Jorge Messias, indicado a ministro do Supremo Tribunal Federal. (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
Repórter
Publicado em 31 de março de 2026 às 14h06.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve encaminhar ao Congresso Nacional, ainda nesta terça-feira, 31, a indicação do ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), informou o Palácio do Planalto.
A formalização ocorre quatro meses após o presidente ter anunciado o nome do ministro para a Corte.
A vaga foi aberta após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em 20 de novembro. Na ocasião, Lula optou por Messias, contrariando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e integrantes da cúpula da Casa, que defendiam Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A escolha contribuiu para um afastamento político entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto, mesmo com o senador sendo um dos principais articuladores da governabilidade no Congresso durante o terceiro mandato de Lula.
Lula anuncia entrega de 107 obras para educação com investimento de R$ 413 milhões do PAC e do MECO presidente do Senado chegou a agendar a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para 10 de dezembro, prazo considerado curto por aliados do governo.
Diante desse cenário e da resistência à indicação, o Planalto decidiu adiar o envio da mensagem oficial como forma de reorganizar o ambiente político. Com o encaminhamento do nome ao Senado, a expectativa é destravar o rito de tramitação da indicação.
Ainda não há definição sobre a data da sabatina. Alcolumbre indicou anteriormente a interlocutores do governo que o processo poderia ser postergado para depois das eleições, previstas para outubro. Um aliado do senador afirma, mas, que há articulações em curso para antecipar a análise, considerando que o Congresso tende a ter baixa atividade a partir de junho em função do calendário eleitoral.
Na semana anterior, Lula reuniu parlamentares e ministros do MDB no Palácio do Planalto para discutir o cenário político. Segundo relatos, houve pressão para que o governo buscasse reduzir tensões com Alcolumbre e viabilizar a sabatina de Messias, diante da possibilidade de o STF operar com um integrante a menos em meio ao avanço das investigações do caso Banco Master. O presidente do Senado foi informado sobre o encontro.
Aliados de Messias avaliam que, com o envio formal da indicação, o ministro deve retomar o diálogo com senadores, interrompido durante o recesso parlamentar. Pelas estimativas desse grupo, ele já conversou com 75 dos 81 senadores desde o anúncio de seu nome. Parte dos parlamentares aguardava o avanço do processo formal antes de iniciar interlocução, como no caso de Carlos Portinho (PL-RJ).
Integrantes da base governista consideram que, apesar de resistências localizadas, a indicação é viável no Senado. A avaliação é de que o avanço dependerá da construção de um ambiente político favorável tanto na sabatina quanto na votação em plenário.
Parlamentares também apontam que uma eventual candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo de Minas Gerais, com apoio do PT, pode contribuir para reequilibrar relações no Senado e facilitar a tramitação da indicação.
Por outro lado, aliados de Alcolumbre afirmam que não há garantia de avanço. Eles relatam insatisfação entre lideranças da Casa com a atuação da Polícia Federal e associam o andamento de investigações envolvendo parlamentares a uma suposta influência do Planalto e do presidente Lula.
*Com informações da Agência O Globo.