Repórter
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 15h58.
RESUMO | O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o governo federal pretende participar da retomada de áreas controladas por organizações criminosas no Rio de Janeiro. Lula defendeu comando e inteligência integrados entre União, estado e prefeitura, mas o evento não anunciou nova operação. O presidente também rejeitou a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas adotada pelo governo Donald Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo federal pretende participar da retomada de áreas controladas por organizações criminosas no Rio de Janeiro. A declaração ocorreu durante uma apresentação de ações integradas de segurança pública no estado, nesta sexta-feira, em meio ao destaque do tema no debate político fluminense e às dificuldades enfrentadas pelo candidato à reeleição junto ao eleitorado local.
Lula afirmou que a atuação conjunta entre União, governo estadual e prefeitura será baseada na integração de comando e inteligência para enfrentar grupos criminosos que atuam no Rio de Janeiro.O evento foi realizado no Complexo da Polícia Rodoviária Federal e não contou com o anúncio de uma nova operação. Durante a cerimônia, o presidente destacou os acordos de cooperação firmados no início de setembro entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Governo do Estado do Rio de Janeiro para ampliar a atuação coordenada contra organizações criminosas.
Segundo Lula, a padronização das estratégias entre os diferentes níveis de governo pode permitir uma resposta conjunta contra o crime organizado.
"Estamos tentando mostrar que, a partir de agora, se os governos federal, estadual e a prefeitura conseguirmos padronizar o procedimento de comando e inteligência único a gente pode dar resultado. Que a gente possa construir um comando e que as pessoas obedeçam porque todo mundo sabe que cachorro com muito dono, morre de fome", disse Lula.
Durante o discurso, o presidente também citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar a classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas. A medida é defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário político do governo federal no debate sobre segurança pública no Rio de Janeiro.
Lula afirmou que não concorda com a definição adotada por Trump e mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao fazer referência aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
"Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções criminosas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de estado, não fala da briga pelo poder. Quem fazia isso? O Bolsonaro que tentou dar o golpe do 8 de janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar o Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Esse era o plano, isso é terrorismo de estado. Agora terrorista na periferia, esses bandidos são terroristas para a família que mora no bairro, para as pessoas que estão na escola, que querem dançar em um bailinho qualquer de periferia".
O presidente também relacionou o debate sobre segurança às ações de proteção das fronteiras brasileiras. Lula afirmou que o Brasil precisa ampliar a atenção sobre recursos naturais e citou interesses internacionais sobre essas áreas.
Lula declarou que o país precisa proteger seus recursos naturais, incluindo áreas marítimas, reservas de petróleo e minerais considerados estratégicos."Temos 8 mil quilômetros de fronteiras marítimas e 5 milhões e 700 mil quilômetros de mar sob nossa tutela. E a gente tem agora petróleo na margem equatorial, a 175 quilômetros da margem do Amapá. E é o novo pré-sal, parece que é de mais qualidade. Temos que tomar conta disso. O Trump tá aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terras-raras. E isso aqui é nosso".
Nesta quarta-feira, Donald Trump elevou as críticas ao Brasil em um relatório anual enviado ao Congresso dos Estados Unidos sobre países considerados relevantes na produção ou trânsito de drogas ilícitas. O documento afirmou que o governo brasileiro falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados por Washington como organizações terroristas.
O governo brasileiro divulgou uma nota na mesma data em que negou falhas ou omissões no combate ao crime organizado.Segundo o relatório, as duas organizações transformaram o Brasil em um “centro de distribuição global de cocaína” e o país não teria adotado medidas consideradas suficientes para reduzir o fluxo de drogas e enfraquecer os grupos.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, diz.
O documento enviado ao Congresso americano apresenta, para o ano fiscal de 2027, os países considerados grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas ilícitas. O Brasil não aparece na lista principal, que considera fatores geográficos, comerciais e econômicos, mas recebeu uma análise específica sobre o combate às facções criminosas.
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras pelo governo dos Estados Unidos ampliou os instrumentos disponíveis para Washington contra os grupos, incluindo sanções financeiras, restrições migratórias e uso ampliado de estruturas de inteligência.
A decisão foi contestada pelo governo brasileiro, que afirmou que a medida pode gerar impactos sobre a soberania nacional e a segurança do país.
Lula afirmou que o governo federal pretende atuar com o governo estadual e a prefeitura na retomada de áreas controladas por organizações criminosas. A estratégia prevê integração de comando e inteligência entre os diferentes níveis de governo.
Não. O evento no Complexo da Polícia Rodoviária Federal apresentou ações integradas de segurança pública, mas não anunciou uma nova operação.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Governo do Estado do Rio de Janeiro firmaram, no início de setembro, acordos de cooperação para ampliar a atuação coordenada contra organizações criminosas.
Lula afirmou que não concorda com a classificação adotada pelo governo Donald Trump. Segundo o presidente, integrantes de facções aterrorizam moradores das periferias, mas a definição de terrorismo de Estado deveria ser aplicada a ações como a tentativa de golpe relacionada ao 8 de janeiro de 2023.
O relatório enviado ao Congresso dos Estados Unidos afirmou que o governo brasileiro falhou no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho e que as facções transformaram o Brasil em um centro global de distribuição de cocaína. O governo brasileiro negou falhas ou omissões no combate ao crime organizado.
A classificação ampliou os instrumentos disponíveis ao governo dos Estados Unidos contra o PCC e o Comando Vermelho, com sanções financeiras, restrições migratórias e maior uso de estruturas de inteligência. O governo brasileiro contestou a decisão e afirmou que a medida pode afetar a soberania e a segurança do país.