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Rio tem metade das estações necessárias para prever temporais extremos

Especialistas afirmam que estado precisa ampliar a rede de monitoramento para emitir alertas mais rápidos sobre eventos climáticos extremos

Rio de Janeiro: rede de estações meteorológicas abaixo do recomendado dificulta alertas rápidos para eventos climáticos extremos na capital e no estado. (Leandro Fonseca /Exame)

Rio de Janeiro: rede de estações meteorológicas abaixo do recomendado dificulta alertas rápidos para eventos climáticos extremos na capital e no estado. (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 1 de agosto de 2026 às 11h46.

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O déficit de estações meteorológicas no estado do Rio de Janeiro limita a capacidade de prever com antecedência eventos climáticos extremos, como o vendaval que atingiu a região nesta semana.

Especialistas afirmam que a estrutura atual está abaixo do recomendado para a implantação de um sistema de previsão de curtíssimo prazo, conhecido como nowcasting, utilizado durante a Copa do Mundo de 2026 para alertar sobre tempestades e raios.

O modelo permite identificar mudanças rápidas nas condições atmosféricas e emitir alertas poucos minutos antes da chegada de fenômenos severos, possibilitando medidas como evacuação de áreas de risco e interrupção de eventos.

Segundo especialistas, o principal gargalo do Rio é a falta de uma mesorrede meteorológica, formada por estações, radares e sensores distribuídos em distâncias menores para acompanhar a evolução das tempestades em tempo real.

Estado tem quase metade das estações recomendadas

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que o estado conta atualmente com apenas 26 estações meteorológicas automáticas, responsáveis por medir temperatura, umidade, pressão atmosférica, chuva e velocidade dos ventos.

Pelos parâmetros da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o território fluminense deveria ter cerca de 49 estações, quantidade considerada adequada para manter uma rede com equipamentos separados, em média, por 15 a 30 quilômetros.

A situação é agravada pela indisponibilidade da estação do Forte de Copacabana, que está fora de operação e tem previsão de manutenção apenas para os próximos dias. Além disso, o número de estações convencionais, operadas manualmente por técnicos, caiu de 11 para sete nos últimos seis anos.

Equipamentos não bastam sem equipes especializadas

Para o meteorologista Ernani de Lima Nascimento, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ampliar a quantidade de equipamentos é apenas parte da solução.

Segundo ele, radares e sensores geram um grande volume de informações que precisam ser interpretadas por equipes especializadas, capazes de operar sistemas de monitoramento durante 24 horas.

Especialistas destacam que investimentos em tecnologia precisam ser acompanhados pela formação de meteorologistas e profissionais treinados para interpretar os dados e transformar as informações em alertas rápidos para a população.

Apesar da deficiência nas estações meteorológicas, a cidade do Rio possui uma estrutura considerada robusta de radares meteorológicos. Dois equipamentos pertencem à prefeitura — um instalado no Mendanha, na Zona Oeste, e outro no Morro do Sumaré.

A capital também recebe cobertura do radar de Niterói, além de equipamentos operados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em Pedra de Guaratiba e Macaé, e pela Força Aérea Brasileira, em Petrópolis.

Especialistas pedem mais monitoramento do litoral

Pesquisadores também apontam que o monitoramento costeiro ainda é insuficiente para acompanhar fenômenos como ressacas, que podem potencializar os impactos de tempestades sobre a população.

Atualmente, os avisos utilizados pelo Centro de Operações e Resiliência (COR) são baseados principalmente nos boletins emitidos pela Marinha. Segundo especialistas, ainda faltam sistemas capazes de indicar quais praias serão mais afetadas e qual poderá ser a intensidade dos impactos.

Além da ampliação da rede de equipamentos, pesquisadores defendem o uso de inteligência artificial para analisar imagens de câmeras espalhadas pela cidade, além da participação de universidades e programas de capacitação de voluntários para reforçar os sistemas de alerta em eventos climáticos extremos.

*Com O Globo

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