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Terminal portuário da JBS em Itajaí (SC) (Ricardo Wolfenbüttel/Divulgação)
Editor da Região Sul
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 10h44.
O Porto de Itajaí voltou ao centro da agenda logística nacional. Em meio à reorganização do sistema portuário brasileiro, o terminal catarinense se consolida como ativo estratégico para o comércio exterior do Sul do país e atrai o interesse da JBS, que avalia disputar o arrendamento definitivo da área hoje operada pela JBS Terminais.
O movimento ocorre no contexto de um novo ciclo de leilões portuários, com os primeiros certames previstos para 26 de fevereiro, que devem mobilizar inicialmente cerca de R$ 229 milhões e abrir caminho para projetos de maior escala — como o Tecon Santos 10, estimado em até R$ 6,4 bilhões ao longo do contrato. A combinação entre retomada operacional, investimentos privados e avanço regulatório recoloca Itajaí como peça relevante no tabuleiro da logística nacional.
Com o governo federal reorganizando sua carteira de concessões e arrendamentos, os portos brasileiros voltam ao radar dos grandes grupos privados. O cronograma divulgado pela ANTAQ e pelo Ministério de Portos e Aeroportos indica que 2026 será decisivo para a logística nacional, com projetos que vão de terminais regionais a ativos de escala global. Nesse contexto, Itajaí emerge como um dos pontos mais sensíveis do tabuleiro, tanto pelo histórico recente quanto pelo seu papel na cadeia exportadora do Sul do país.
Após um período de paralisação que afetou cadeias produtivas inteiras em Santa Catarina, o Porto de Itajaí iniciou um processo de recuperação acelerada a partir da entrada da JBS Terminais. Desde que assumiu a gestão da área arrendada, em outubro de 2024, a companhia imprimiu um ritmo intenso de eficiência operacional e retomada de mercado.
Em 2025, primeiro ano completo de operação, a JBS Terminais movimentou quase 390 mil TEUs, volume 11% superior ao registrado em 2022, período que antecedeu a paralisação do terminal. Considerando todo o intervalo sob sua administração, o volume já supera 430 mil TEUs em 15 meses, atendendo uma base diversificada de cerca de 3 mil clientes.
Os números reforçam a percepção de que Itajaí voltou a operar como hub logístico estratégico, conectando Santa Catarina diretamente a mercados da Ásia, Europa, Américas, Oriente Médio e África.
Para sustentar essa retomada, a companhia realizou investimentos da ordem de R$ 220 milhões em modernização tecnológica e operacional. O aporte incluiu a aquisição de dois guindastes móveis MHC Konecranes Gottwald ESP.9, com capacidade para 125 toneladas e alcance de até 20 fileiras de contêineres, além da ampliação da capacidade para cargas refrigeradas, com 1.708 tomadas para reefers. A operação terrestre também foi reforçada com a implantação de oito gates reversíveis, que ampliam a fluidez do acesso rodoviário conforme a demanda.
A infraestrutura atual do terminal compreende 180 mil metros quadrados de área operacional, 1.030 metros de cais, quatro berços e 14 metros de profundidade, permitindo a atracação de navios de grande porte. Ao longo de 2025, o terminal recebeu 384 embarcações, operando com 10 linhas de navegação regulares e sete escalas semanais. Para 2026, está prevista a adição de novos serviços, incluindo uma rota ligando o Brasil ao Norte da Europa.
Segundo Aristides Russi Junior, CEO da JBS Terminais, o foco estratégico está na eficiência absoluta do fluxo de cargas e no resgate do protagonismo regional do porto.
“A retomada dos volumes acima dos níveis pré-paralisação demonstra a resiliência do ativo e a assertividade da estratégia adotada desde o primeiro dia de gestão”, afirma o executivo, destacando que o plano de investimentos foi desenhado para converter o terminal em uma plataforma de alta performance, capaz de atender às demandas mais complexas das cadeias de suprimentos modernas.
A pauta de cargas reflete a diversidade econômica catarinense. As carnes lideram as exportações, seguidas por madeira; nas importações, ganham espaço plásticos, alimentos preparados para animais e máquinas de alto valor agregado. Além do impacto logístico, a operação movimenta a economia local, com 345 colaboradores diretos e cerca de 600 Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs) mobilizados diariamente.
O interesse da JBS em permanecer no ativo dialoga com o novo ciclo de leilões. A companhia avalia as condições do edital e a modelagem do arrendamento definitivo antes de formalizar sua participação, em linha com a estratégia do grupo de ampliar presença em logística e infraestrutura para garantir eficiência, previsibilidade e competitividade às suas cadeias globais.
O programa federal não se limita a Itajaí. Além dos projetos previstos para fevereiro — em portos como Natal, Porto Alegre, Santana e Recife — avançam certames de maior escala, com destaque para o Tecon Santos 10, no Porto de Santos. Somados, esses ativos podem mobilizar investimentos bilionários ao longo da próxima década.
Nesse ambiente de reconfiguração, Itajaí ganha relevância não apenas como terminal regional, mas como ativo estratégico na nova geografia logística brasileira. Com o leilão se aproximando e o interesse da JBS explicitado, a disputa pelo futuro do porto catarinense tende a ser um dos capítulos centrais da agenda portuária de 2026 — com impactos que extrapolam Santa Catarina e alcançam toda a cadeia de comércio exterior do país.
De janeiro a novembro de 2025, o Complexo Portuário de Itajaí acumulou 14.225.986 toneladas movimentadas, crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2024 (12.804.927 toneladas).Já o Porto de Itajaí (cais público + área comercial) soma, no mesmo período, 4.277.115 toneladas, frente a 754.052 toneladas no acumulado de 2024.