Alta dos combustíveis: ação interministerial visa reduzir custos das operações aéreas no Brasil (Leandro Fonseca/Exame)
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 16h22.
O governo federal trabalha em novas medidas para reduzir os custos da operação das companhias aéreas e ampliar a oferta de empresas no mercado brasileiro. Em entrevista ao EXAME Infra, Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos, afirmou que a pasta discute com o Ministério da Fazenda uma agenda de redução de custos tributários e espera apresentar os encaminhamentos ainda neste ano.
"Transporte aéreo não é luxo, é uma necessidade no país. Estamos focados para dar mais acesso a esta modalidade aos brasileiros", disse o ministro.
Segundo Franca, o governo trabalha em três frentes: mudanças relacionadas ao IOF, ao Imposto de Renda sobre o LSI e uma modelagem ligada à reforma tributária.
As propostas estão sendo discutidas pelas equipes técnicas dos ministérios e ainda dependem de uma decisão interministerial, com participação também do Ministério do Planejamento e do governo.
“Minha expectativa é que a gente possa apresentar os encaminhamentos para as três medidas ainda esse ano”, afirmou. Segundo ele, o objetivo principal é reduzir os custos da operação e, consequentemente, ampliar o acesso da população ao transporte aéreo.
A declaração ocorre em um contexto delicado para o setor, com a guerra entre os Estados Unidos e o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 25% de todo o petróleo do mundo. Segundo um relatório do JP Morgan publicado após um cessar-fogo em março deste ano, as passagens aéreas ficaram 31% mais caras em relação ao mês anterior – uma tendência que segue no segundo semestre.
Neste contexto, já há um esforço do governo para sustentar as companhias que já atuam no país e, ao mesmo tempo, aumentar a concorrência. Franca concordou com a avaliação de Santiago Yus, presidente da Aena no Brasil, que também participou de um episódio do Exame Infra, sobre a necessidade de ampliar o número de companhias aéreas no país.
Para ele, o desafio é fazer o setor crescer sem comprometer a sustentabilidade das empresas que já prestam o serviço no país. “Precisamos voar muito mais. Voar mais e dar mais competitividade, mas também dar sustentabilidade para quem já opera no Brasil", afirmou.
Franca citou medidas já adotadas pelo governo diante do impacto do aumento do combustível sobre o setor. Segundo ele, o governo acelerou o acesso das companhias ao Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), que possui um conjunto de R$ 13 bilhões destinado às empresas aéreas. As três maiores companhias, de acordo com o ministro, já estão em processo de contratação de R$ 2,5 bilhões cada uma.
O ministro também citou o zeramento de PIS e Cofins sobre a operação do serviço de transporte aéreo e uma negociação com o Ministério da Defesa para prorrogar para dezembro o pagamento das tarifas de navegação à Força Aérea Brasileira. Segundo o ministro, as medidas têm efeitos sobre financiamento, fluxo de caixa e redução de custos das empresas.
A preocupação do governo é evitar que o aumento dos custos, especialmente do combustível, interrompa o crescimento do transporte aéreo no país. No mercado, o combustível representa cerca de 30% do custo da operação e, segundo Franca, esse peso subiu para 40% nos últimos meses.
Apesar da pressão, o ministro afirmou que o número de passageiros continua crescendo. Em 2025, segundo ele, o Brasil bateu o recorde histórico de passageiros domésticos e internacionais. No primeiro semestre de 2026, foram 65 milhões de passagens vendidas no país, também um recorde para o período.
Mesmo assim, o ministro admite: "O Brasil voa pouco. Acontece uma concentração de oportunidade no eixo do Sudeste", disse. "Em um país de dimensão continental como o nosso, precisamos de conexão, e isso se dá pelo transporte aéreo."
A entrevista na íntegra será divulgada no domingo, no canal de YouTube da EXAME.