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Desafio do free flow é educar motoristas sobre novo modelo, diz CEO da Pedágio Digital

Após a suspensão de milhões de multas e mudanças nas regras de adaptação ao sistema, setor aposta em informação e soluções digitais para consolidar o pedágio sem cancelas

Free flow: Comunicação e aducação do usuário são essenciais em fase inicial (Governo de SP/Divulgação)

Free flow: Comunicação e aducação do usuário são essenciais em fase inicial (Governo de SP/Divulgação)

A expansão do sistema de pedágio eletrônico sem cancelas, o free flow, trouxe uma nova dinâmica para as rodovias brasileiras. Na avaliação de Rodrigo Zambon, CEO da Pedágio Digital, o principal desafio do momento já não é tecnológico, mas fazer o motorista entender o funcionamento do novo modelo de cobrança e incorporar novos hábitos para evitar multas e pendências de pagamento.

"Entendemos que é um processo de educação deste modelo comercial e tecnológico. Estamos exatamente nesse estágio. Precisamos contar essa história de maneira gradual e verdadeira, mostrando como funciona esse novo modelo", afirma o executivo ao EXAME Infra.

Criada pela Motiva e pela EcoRodovias, a Pedágio Digital surgiu justamente para desenvolver soluções voltadas ao free flow, sistema em que a cobrança é feita por pórticos com leitura automática das placas, eliminando a necessidade de praças de pedágio.

Segundo Zambon, embora a tecnologia represente uma evolução na fluidez do tráfego e na justiça tarifária, já que o motorista paga apenas pelo trecho percorrido, sua consolidação depende de uma mudança de comportamento dos usuários.

Para o executivo, o momento vivido pelo setor é semelhante ao de outras transformações tecnológicas já enfrentadas pelas rodovias brasileiras, como a adoção das pistas automáticas e das tags eletrônicas. A diferença é que, agora, o motorista precisa se adaptar a uma jornada completamente digital, na qual o pagamento deixa de ocorrer no momento da viagem e passa a ser realizado posteriormente, quando não há uma tag vinculada ao veículo.

Um setor amadurecendo

O desafio de informar os motoristas ganhou ainda mais relevância no primeiro semestre de 2026. Em abril, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) suspendeu 3,4 milhões de multas aplicadas a usuários do free flow e concedeu um prazo de até 200 dias para que os débitos de pedágio fossem regularizados sem penalidades. Durante esse período, novas advertências por evasão também foram interrompidas, enquanto as concessionárias receberam 100 dias para adaptar seus sistemas e concluir a integração de dados, para incorporar as cobranças à Carteira Digital de Trânsito.

Ao anunciar a medida, o Ministério dos Transportes afirmou que a decisão buscava garantir uma transição mais segura para o novo modelo de cobrança, diante das dificuldades enfrentadas por muitos motoristas para identificar os débitos e efetuar os pagamentos. A partir do fim do período de transição, no entanto, as multas voltam a ser aplicadas aos condutores que permanecerem inadimplentes, reforçando o caráter temporário da flexibilização.

Para o executivo, as discussões recentes envolvendo o free flow, como alterações regulatórias, adiamentos na cobrança em algumas concessões e medidas adotadas pelo poder público para ampliar a informação aos motoristas, fazem parte do processo natural de amadurecimento da tecnologia.

"O free flow nasceu recentemente, então não está maduro. Temos que ser parte da solução", afirmou. Segundo ele, a resposta para esse cenário passa por ampliar o conteúdo educativo e colaborar com reguladores e concessionárias para aperfeiçoar o modelo.

Além de participar dos grupos técnicos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a empresa afirma trabalhar no desenvolvimento de novas soluções para reduzir a chamada "fricção" da experiência do usuário, desde facilitar os meios de pagamento até integrar diferentes concessionárias em uma mesma plataforma.

Hoje, o aplicativo da Pedágio Digital permite consultar passagens realizadas em rodovias aderentes, identificar tarifas pendentes e efetuar pagamentos. Para Zambon, soluções como essa ajudam não apenas os usuários, mas também as concessionárias, ao reduzir perdas de arrecadação, e os órgãos reguladores, que passam a contar com um sistema mais eficiente.

"O usuário quer estar em dia com os pagamentos de pedágio. Quando ele descobre que existe uma passagem pendente, os índices de regularização são bastante relevantes. Isso mostra que existe interesse em cumprir as regras", disse.

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