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Com R$ 53 bi para investir, EPR estuda todos os novos leilões, diz CEO

Em entrevista exclusiva à EXAME, José Carlos Cassaniga afirma que a agenda de concessões é de Estado e que não haverá "perturbação" com eleições

Cassaniga: "Por disciplina, avaliamos todos os projetos" (Linkedin/Reprodução)

Cassaniga: "Por disciplina, avaliamos todos os projetos" (Linkedin/Reprodução)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 28 de junho de 2026 às 09h00.

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A EPR, plataforma de concessões rodoviárias, planeja investir cerca de R$ 53 bilhões nos próximos 30 anos e mantém apetite para analisar todos os novos leilões do setor.

“Nós estamos num momento muito satisfatório do ponto de vista dos programas de concessões de rodovias no Brasil”, diz José Carlos Cassaniga, CEO da companhia, em entrevista exclusiva ao programa EXAME INFRA durante a Bienal das Rodovias, realizada pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

A empresa administra atualmente mais de 3.600 km de rodovias, distribuídos em sete contratos de concessão, sendo quatro federais e três estaduais em Minas Gerais.

“Nossa disciplina é avaliar todos os projetos do pipeline com pré-qualificação e profundidade nas análises técnicas e estruturais para participação nos leilões", afirma.

Formada pelo grupo brasileiro Equipav e pela gestora Perfin, a empresa é uma das novas "entrantes" do mercado de infraestrutura. A estratégia de longo prazo, segundo o executivo, passa também por aproveitar oportunidades do mercado secundário, de venda e compra de concessões maduras.

"A EPR avalia todas as oportunidades de investimento que contribuam para o desenvolvimento sustentável das regiões onde atua. Isso inclui o pipeline de leilões estruturados e também eventuais oportunidades de mercado secundário, que poderão ser avaliadas", afirma.

Leia a entrevista completa com José Carlos Cassaniga, CEO da EPR

Como o senhor vê o momento do setor de rodovias? 

Nós estamos num momento muito satisfatório do ponto de vista dos programas de concessões de rodovias no Brasil. Comemoramos 30 anos desde o início do programa, com as primeiras experiências, e uma trilha de evolução muito clara desde então, com amadurecimento de modelagens, termos contratuais e matriz de riscos dos contratos de concessão. É um ambiente bastante favorável para atração de investimentos em um setor muito necessário, que precisa atualizar, modernizar e transformar as rodovias em corredores logísticos mais preparados para o tráfego atual e futuro. A EPR se insere nesse contexto. É uma plataforma que fez uma leitura estratégica das necessidades de investimento no setor de concessões rodoviárias. Comparecemos a vários leilões. Nossa disciplina é avaliar todos os projetos do pipeline com pré-qualificação e profundidade nas análises técnicas e estruturais para participação nos leilões. Isso nos trouxe até aqui.

Qual é o tamanho do capex que a EPR tem nas suas concessões para investir nos próximos anos?

A EPR tem um portfólio de sete contratos de concessão, sendo quatro no programa federal e três no programa mineiro de concessões de rodovias. Totalizamos pouco mais de 3.600 km sob nossa administração e prezamos por antecipar serviços aos usuários, antecipar requalificações das rodovias e preparar bem o programa de investimentos. Nosso programa hoje totaliza algo em torno de 53 bilhões ao longo de 30 anos. Esses contratos seguem um regramento semelhante, com etapas de requalificação inicial, recuperação da infraestrutura, ampliação e manutenção até o fim do contrato. Cerca de 40% desse total se concentra nos primeiros 10 anos, e o restante nos 20 anos seguintes, já que todos os contratos têm duração de 30 anos.

A estratégia da EPR, que tem fundo de investimento na sua composição societária, é se tornar um grande operador e eventualmente ter visibilidade para esse mercado secundário após esse pico de capex?

A EPR avalia todas as oportunidades de investimento que contribuam para o desenvolvimento sustentável das regiões onde atua. Isso inclui o pipeline de leilões estruturados e também eventuais oportunidades de mercado secundário, que poderão ser avaliadas. Prezamos por consistência técnica, estruturação de capital e disciplina de capital para tomar decisões adequadas de portfólio. Nosso objetivo é fazer diferença nas regiões em que atuamos, promovendo desenvolvimento sustentável. Um contrato de concessão consistente gera benefícios desde o início, não apenas na fase de obras. Desde o começo, há fomento ao mercado especializado em engenharia, serviços e tecnologia, além de geração de impostos para municípios, como o ISS. A presença da concessão acelera o desenvolvimento sustentável das regiões.

Como vocês estão olhando a previsão dos leilões deste ano e dos próximos anos? A EPR vai continuar entrando forte?

Por disciplina, avaliamos todos os projetos. Tomamos decisões em diferentes estágios dos estudos, dependendo da resposta que cada projeto traz à mesa e da possibilidade de implementação dentro dos parâmetros de um portfólio saudável, que é o mais importante para nós.

Com sua experiência, como construir uma agenda de Estado, e não apenas de governo, que mantenha o investimento de forma contínua? E como você vê o ambiente político em ano de eleição?

Não há dúvida de que essa agenda é de Estado, não de governo. Os programas de concessão são relações de longo prazo, com contratos de 30 anos e etapas bem definidas. Não haverá perturbação por mudanças de governo, dentro do funcionamento normal da democracia. A estruturação atual de projetos tende a trazer uma cadência mais regular de investimentos privados em rodovias. Além disso, o país ainda não alcança o patamar necessário de investimento em infraestrutura. Fala-se em 5% do PIB como ideal. Já estivemos próximos disso, depois houve queda no pós-pandemia, e agora voltamos a níveis mais elevados de investimento privado.

Como vê a necessidade de investimentos públicos? 

O ideal é combinar investimento público e privado de forma contínua. O pipeline atual indica um patamar de cerca de R$ 20 bilhões por ano no setor, de forma regular pelos próximos 8 a 10 anos. Isso decorre de uma maior maturidade na estruturação de projetos, tanto no nível federal quanto estadual, com maior consistência e velocidade de formulação. Isso deve garantir um ciclo de investimentos mais contínuo e elevado, mais estável do que no passado.

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