Publicado em 11 de junho de 2026 às 06h14.
Thiago Bronzi, sócio e líder de investimentos em rodovias e saneamento do Pátria Investimentos, resume o momento da companhia em uma frase: “O nosso apetite continua grande.”
Em entrevista ao videocast EXAME Infra, o executivo afirmou que o grupo está no quinto fundo de infraestrutura, com US$ 2,9 bilhões para investir, e segue acompanhando oportunidades em diferentes segmentos.
Hoje, o Pátria administra cerca de US$ 8 bilhões em ativos de infraestrutura, possui concessões rodoviárias no Brasil e na Colômbia e estreou recentemente no saneamento com a concessão do Lote Sertão, em Pernambuco.
Hoje, o grupo acumula aproximadamente R$ 40 bilhões em compromissos contratuais de investimento ao longo da vigência dos contratos.
Trata-se de um volume que coloca a empresa entre os participantes mais relevantes do atual ciclo de expansão da infraestrutura nacional.
Parte significativa desse esforço já deve ser percebida nos próximos meses. Segundo Bronzi, a expectativa é executar mais de R$ 10 bilhões em capex apenas neste ano.
“Podemos não aparecer tanto, mas somos um player muito relevante nesse cenário de contribuir para o avanço da infraestrutura no país”, disse.
O executivo destacou que a estratégia da companhia é baseada em uma visão de longo prazo, característica inerente aos projetos de infraestrutura.
O interesse por novos ativos ocorre em um momento de forte expansão da infraestrutura brasileira, com recordes de leilões em rodovias e uma nova onda de projetos em saneamento.
Para Bronzi, o ambiente atual é resultado de um processo de amadurecimento institucional que aumentou a previsibilidade para investidores de longo prazo.
A presença do Pátria no setor vai além das concessões rodoviárias e de saneamento. A gestora também possui investimentos em telecomunicações, data centers, mobilidade elétrica e ativos de infraestrutura em outros países da América Latina.
Embora o setor de saneamento tenha ganhado espaço recentemente na carteira do grupo, a entrada do Pátria não aconteceu de forma imediata após a aprovação do novo marco regulatório.
Segundo Bronzi, a gestora acompanhava o setor há muitos anos, mas aguardou um ambiente regulatório mais consolidado antes de realizar o primeiro investimento.
“Eu costumo brincar que saneamento é o setor do futuro. Gostamos de entrar quando as regras do jogo estão claras e estão sendo cumpridas”, afirmou.
A avaliação é que a previsibilidade regulatória tornou-se um dos principais fatores para atrair investidores institucionais e capital de longo prazo para projetos de infraestrutura no Brasil.
Ao longo da entrevista, Bronzi também ressaltou a importância do diálogo entre investidores, financiadores e governos para a construção de contratos mais eficientes e sustentáveis.
Em ano eleitoral, Bronzi afirmou que o ambiente político não é hoje o principal fator de preocupação para investidores que analisam projetos de infraestrutura no Brasil.
Na avaliação do executivo, o país avançou na compreensão do papel das concessões e consolidou uma visão mais madura sobre a participação da iniciativa privada em setores essenciais.
Segundo ele, a percepção de que governo e investidores ocupam lados opostos da mesa perdeu força ao longo dos últimos anos.
No lugar disso, surgiu uma lógica de cooperação voltada à estruturação de projetos capazes de atrair investimentos e ampliar a oferta de infraestrutura para a população.
“Hoje a discussão não é mais se eu estou do outro lado da mesa. Estamos todos na mesa tentando fazer isso aqui da melhor forma possível.”
Bronzi também afirmou que o avanço das concessões deixou de estar associado a uma corrente política específica. Para o executivo, o país compreendeu que o investimento privado em infraestrutura é uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social, independentemente do governo de plantão.
“Independentemente de qual espectro do governo, o capital privado para a infraestrutura é parceiro”, disse.
Apesar do elevado volume de investimentos previsto para os próximos anos, Thiago Bronzi avalia que a principal limitação para acelerar a infraestrutura brasileira não está na disponibilidade de recursos financeiros.
Em sua visão, há interesse de investidores nacionais e internacionais em financiar projetos no país. O desafio está na capacidade de estruturar concessões consistentes, com segurança regulatória e condições adequadas para a participação da iniciativa privada.
Para o executivo, a continuidade do atual ciclo de investimentos dependerá justamente da capacidade de governos e estruturadores de desenvolver projetos sólidos e atrativos para o mercado.
Com recursos disponíveis e apetite dos investidores preservado, o desafio passa a ser ampliar a oferta de bons ativos para concessão. Segundo ele, “o gargalo não é capital. O gargalo é a falta de bons projetos”.