Repórter
Publicado em 30 de março de 2026 às 17h10.
Última atualização em 30 de março de 2026 às 19h03.
A Aena venceu o leilão de concessão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, realizado nesta segunda-feira, 30, na B3, e ampliou sua atuação no país.
Com o resultado, a companhia passa a administrar 18 aeroportos no Brasil e se consolida como a maior concessionária aeroportuária em operação no território nacional.
O lance vencedor foi de R$ 2.9 bilhões, com ágio de 210,88% em relação ao valor mínimo estipulado.A empresa não terá obrigação de realizar investimentos adicionais no ativo e ficará responsável pela gestão do Galeão até 2039.
O leilão foi definido em etapa de viva-voz, após empate na rodada inicial entre a Aena e a suíça Zurich. Ambas apresentaram proposta de R$ 1,5 bilhões, considerando o valor mínimo de R$ 932 milhões estabelecido no edital.
Também participou do processo a RioGaleão, atual operadora do aeroporto, formada pela asiática Changi e pela Vinci Compass.
A proposta vencedora superou a projeção do governo, que estimava arrecadação de R$ 1,5 bilhões com a concessão.O certame ocorreu após processo de repactuação contratual conduzido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e é classificado pelo governo como estratégico para redefinir a operação do terminal.
O novo leilão do Galeão tem origem em um acordo homologado pelo TCU que substituiu a devolução do aeroporto ao governo pela atual concessionária pela realização de uma nova licitação. O modelo adota condições mais alinhadas às concessões aeroportuárias recentes no Brasil. A iniciativa pretende reequilibrar economicamente o contrato original.
Após o encerramento do certame, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas Faierstein, afirmou que o resultado do leilão está relacionado à atuação do TCU no processo. Segundo ele, o órgão abriu espaço para a construção de consensos e possibilitou a reconciliação em contratos considerados estratégicos para o país. Ele também mencionou que o governo mantém negociações envolvendo concessões como a do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.
O governo pretende utilizar a revisão de contratos de concessão aeroportuária com dificuldades financeiras para transferir 29 aeroportos regionais à iniciativa privada. Diferentemente do Galeão, que foi licitado de forma individual, os aeroportos de Brasília e Campinas devem ser ofertados em blocos.
"Queremos contratos de concessões saudáveis, contratos de concessões que atraiam o investimento no nosso aeroporto. Investir na infraestrutura aeroportuária significa investir no Brasil", declarou o presidente da Anac.
O contrato apresenta mudanças estruturais em relação ao modelo anterior. Está prevista a saída da Infraero da sociedade e a exclusão da obrigação de construção de uma terceira pista.
A forma de pagamento também foi alterada. Em substituição à outorga fixa, o modelo adota contribuição variável correspondente a 20% da receita bruta.
O Galeão mantém posição relevante na malha aérea brasileira, com fluxo internacional e doméstico. Em 2025, o aeroporto registrou movimentação de 18 milhões de passageiros, equivalente a 13% do total nacional.