Índia inicia exportações de vacinas da covid-19, mas deixa Brasil de fora

Governo brasileiro espera a importação de 2 milhões de doses da vacina de Oxford. Não há ainda confirmação sobre quando as doses serão enviadas

O governo da Índia anunciou que começa nesta quarta-feira, 20, a exportar vacinas contra a covid-19 para países de renda baixa e média que compraram os imunizantes da vacina da AstraZeneca com a Universidade de Oxford. Mas o Brasil, por ora, ficou de fora da lista inicial de exportação.

São aguardadas, a princípio, 2 milhões de doses vindas do Instituto Serum, na Índia. Na semana passada, um avião brasileiro chegou a ser enviado para buscar o material, mas parou em Recife antes de cruzar o Atlântico, ante a falta de confirmação do governo indiano que as vacinas seriam entregues.

O governo indiano começou a vacinar sua própria população no fim de semana com a vacina de Oxford e outro imunizante, da Bharat Biotech, e aguardou até que a imunização local fosse iniciada antes de começar a exportar as vacinas. Como maior produtor global de vacinas, o instituto indiano Serum é parceiro da AstraZeneca na produção da vacina de Oxford para países mais pobres.

No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Índia diz que está fornecendo as vacinas para Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar e as Ilhas Seychelles. Os países onde os trâmites legais estão em andamento são Sri Lanka, Afeganistão e as Ilhas Maurício.

Não há referência ao Brasil no anúncio. O texto informa ainda que, "em um esforço contínuo, a Índia continuará fornecendo vacinas a países em todo o mundo. Isso será calibrado em relação aos requisitos domésticos, à demanda e a obrigações internacionais".

Nas próximas semanas, a Fiocruz começará também a produzir as vacinas no Brasil, com princípio ativo vindo da China. Mas a própria produção interna, prevista para fevereiro, foi adiada ontem para março em meio à demora na liberação do princípio ativo pelo governo chinês. A vinda do princípio ativo da China também é importante para o Instituto Butantan, que disse que pode parar de produzir doses da Coronavac já nesta quarta-feira, 20, diante da falta do material.

Como os acordos para compra da Coronavac e da vacina de Oxford incluíram transferência de tecnologia, o objetivo dos institutos brasileiros é começar a produzir o princípio ativo das vacinas no Brasil ainda neste ano, para minimizar a dependência externa.

"O governo federal está em contato constante com as autoridades indianas para acelerar, no que for possível, esse processo e trazer as vacinas para o país o mais rápido possível", disse o Ministério das Relações Exteriores em nota nesta terça-feira.

Até agora, a imensa maioria da produção das três vacinas contra covid-19 já aprovadas de forma ampla no mundo (Oxford, Pfizer e Moderna) foi absorvida pelas nações desenvolvidas, gerando preocupações na OMS e outras entidades de que os países mais pobres possam enfrentar uma longa espera pelos suprimentos.

A vacina de Oxford/AstraZeneca é vista amplamente como a melhor chance desses países, pois as outras duas --fabricadas pela Pfizer/BioNTech e pela Moderna-- precisam ser armazenadas a temperaturas muito baixas.

Quando a OMS autorizar globalmente a vacina de Oxford/AstraZeneca, o que ainda não aconteceu, o Serum poderá também começar a fornecer para a iniciativa Covax, que visa uma distribuição igualitária de vacinas contra covid-19 ao redor do mundo. O Brasil também faz parte da Covax, e pagou o suficiente para imunizar 10% da população.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foi ao Twitter comentar o envio dos imunizantes, dizendo que a Índia está "profundamente honrada" por ser parceira de longa data com os demais países do mundo na produção de imunizantes.

No Brasil, além da Fiocruz, clínicas privadas de vacinação têm acordo para comprar 5 milhões de doses da vacina da Bharat, tão logo esse imunizante obtenha registro definitivo junto à Anvisa. O Brasil começou sua imunização oficialmente no domingo, 15, por ora com doses somente da Coronavac, que já foram distribuídas de São Paulo a outros estados.

Ao todo, a Anvisa aprovou 6 milhões de doses da Coronavac e 2 milhões de AstraZeneca/Oxford, com prioridade inicial para profissionais de saúde. É necessário que mais doses sejam produzidas internamente e na sequência aprovadas pela agência para que o Brasil consiga imunizar a população em massa.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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