Na tentativa de organizar o jogo, Guedes mergulha nas negociações da vacina

Após desgastes das últimas semanas, com a PEC emergencial e o BB, o ministro também acenou à ala ideológica do governo ao receber o Ministro da Cultura, Mário Frias

O ministro da Economia, Paulo Guedes, mergulhou nas negociações para a compra de vacinas contra a Covid-19. A equipe econômica teme que o estranhamento entre o Ministério da Saúde e os fabricantes, além da postura anti-vacina do presidente Jair Bolsonaro, atrasem ainda mais a imunização dos brasileiros.

Guedes, que tem 71 anos e está ansioso para tomar a vacina, tem reforçado que vê a imunização em massa como única forma de evitar mais um ano de crise. A vacinação é uma das apostas da Economia para que a nova rodada de auxílio emergencial fique limitada a apenas quatro meses. A articulação do ministro é feita com cautela para não avançar sobre a seara do Ministério da Saúde. Isso seria trazer mais uma bomba para o colo de Guedes, para quem problemas não faltam.

Força tarefa

Foi preciso montar uma força-tarefa para convencer Bolsonaro a não jogar por terra todo o esforço da Economia para salvar a PEC Emergencial na Câmara dos Deputados. Até o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, tiveram que entrar em campo. Ambos serviram como anteparo para o ministro da Economia, que é alvo permanente de ataques no Palácio do Planalto, não se desgastar ainda mais com Bolsonaro.

Dilema

Todos tentaram dissuadir o presidente da ideia de excluir profissionais da área de segurança das regras que congelam salários em caso de calamidade financeira. O grupo insistiu com Bolsonaro que ele corria o risco de não conseguir pagar a nova rodada de auxílio emergencial ainda em março se mudasse demais a proposta, pois ela voltaria ao Senado. Encontrou-se um meio termo por meio de um acordo para excluir da PEC a proibição de promoções e progressões de carreira do funcionalismo, o que beneficia diretamente policiais.

Cadê

No meio da votação em segundo turno da PEC Emergencial na Câmara na noite de quinta-feira, a base do governo teve que sair arregimentando votos para não perder nos destaques. Um dos perdidos era o próprio relator da PEC, deputado Daniel Freitas, que estava sumido. Foi preciso ligar para o parlamentar e pedir que ele votasse.

Traição

Integrantes da equipe econômica que acompanharam de perto a tramitação da PEC Emergencial culpam o secretário da Receita, José Tostes, pela desidratação da proposta. Segundo eles, ao enviar a parlamentares um comunicado dizendo que Guedes era contra o fim da vinculação das receitas destinadas ao trabalho da Receita Federal, o secretário “abriu a porteira” para derrotas, já que o governo “piscou” com o compromisso fiscal da PEC.

Paz e amor

Depois do desgaste das últimas semanas para negociar a PEC Emergencial, manter o presidente do Banco do Brasil no posto e dar alguns passos em sua agenda liberal, Guedes recebeu na terça-feira o secretário de Cultura e grande fã do presidente, Mário Frias. Interlocutores do ministro viram o encontro, de cortesia, como um aceno a ala ideológica de Bolsonaro.

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