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Greve dos caminhoneiros faz Moro suspender audiência do sítio de Atibaia

Segundo acusação, empreiteiras financiaram obras em imóvel que supostamente pertence a Lula em troca de contratos com a Petrobras

Sérgio Moro: magistrado destaca que o "deslocamento entre as cidades e mesmo dentro delas tem sido prejudicado" com a greve (Leonardo Benassatto/Reuters)

Sérgio Moro: magistrado destaca que o "deslocamento entre as cidades e mesmo dentro delas tem sido prejudicado" com a greve (Leonardo Benassatto/Reuters)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 25 de maio de 2018 às 16h04.

São Paulo - Em meio à greve dos caminhoneiros, o juiz federal Sérgio Moro suspendeu audiências na ação penal em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu envolvendo as reformas no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia.

O magistrado afirmou que há depoimentos marcados para dia 28 de maio, pela manhã e pela tarde, data em que foi cancelado o expediente da Justiça Federal de Curitiba.

Em despacho, o magistrado afirmou que "há uma pauta de reivindicação legítima da respeitável categoria e que deve ser avaliada pelas autoridades competentes".

"No entanto, o prolongamento excessivo da paralisação e que inclui o questionável bloqueio de rodovias tem gerado sérios problemas para a população em geral, com prejuízos principalmente para o abastecimento de alimentos e de combustíveis nas cidades", escreveu.

O magistrado destaca que o "deslocamento entre as cidades e mesmo dentro delas tem sido prejudicado, com afetação dos serviços públicos e inclusive de prestação de Justiça".

"Na presente data, o expediente na Justiça Federal de Curitiba foi cancelado, muito embora seja intenso o trabalho interno dos servidores", anotou.

"Espera-se que prevaleça o bom senso dos envolvidos, com a normalização da situação e antes que ocorram episódios de violência, mas considerando a incerteza em relação aos próximos dias, é o caso de, por prudência, suspender as audiências do dia 28/05/2018 e, oportunamente, redesigná-las", concluiu.

O caso envolvendo o sítio resultou na terceira ação contra Lula na Lava Jato. Segundo a acusação, Odebrecht, OAS e Schahin, por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão em obras no sítio em troca de contratos com a Petrobras. O imóvel foi comprado no fim de 2010, quando Lula deixava a Presidência, pelos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna. O ex-presidente nega ter recebido vantagens indevidas das empreiteiras.

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