Trem da Ferrovia Transnordestina carregado de brita (Delfim Martins/Exame)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 12h02.
O governo federal projeta investimentos que totalizam R$ 1 trilhão em valores atuais em projetos rodoviários, ferroviários, aquariários e intermodais, a serem realizados até 2050. O valor corresponde a cerca de 8% do PIB do Brasil no ano passado e está previsto no Plano Nacional de Logística (PLN), lançado pelos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos nesta quarta-feira, 12.
O documento norteará as prioridades de investimentos do país e privilegia a integração dos modais atualmente e a redução da dependência do Brasil de rodovias, segundo o ministro dos Transportes, George Santoro. Pelos cálculos da pasta chefiada por Santoro, o Brasil chegará a 2050 com ao menos 35% da carga transportada por ferrovias, ante 19% atualmente.
"Rodovias deveriam servir a deslocamentos de até 500 quilômetros, e não faz sentido transportar minério de ferro em uma rodovia. Isso explode o custo de manutenção. É preciso transportar em rodovias apenas o que precisa", afirma. Hoje, o modal rodoviário é o principal da matriz de transporte brasileira, respondendo por 62% do transporte de cargas no país.
O objetivo do plano é otimizar os investimentos e reduzir o que Santoro chama de custo logístico do país. "Hoje, mais de 15% do PIB do Brasil é consumido por custos logísticos, enquanto a média mundial é de 7%. O PNL é um passo para reduzir esses custos", afirma.
Ao todo, o PNL prevê 31 eixos de investimentos, sendo 12 rodoviários, 8 ferroviários, 4 aquaviários e 7 intermodais. Dos cerca de R$ 1 trilhão em aportes previstos nos projetos, 60% viriam da iniciativa privada por meio de concessões e parcerias público-privadas.
"Para isso, a gente não tem orçamento fiscal para realizar tudo; a conta é realizar cerca de 40% e o restante ficar por conta da iniciativa privada. É preciso ter investimento público porque, sem ele, o privado não vem", afirma o ministro Santoro.
O PNL incorporou também, em suas prioridades de investimento, os eventuais gargalos de licenciamento ambiental.
O plano prevê a utilização de recursos provenientes de renegociações de contratos de concessão de ferrovias existentes em projetos de expansão da malha ferroviária atual. Esses aportes seriam feitos diretamente, ou seja, sem que os recursos passassem pelo Tesouro Nacional.
Entre os principais investimentos ferroviários previstos, estão a extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul, que prevê a construção de um trecho de ao menos 477 quilômetros entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA), além da implantação de tramos das ferrovias Transnordestina, de Integração Centro-Oeste (Fico) e de Integração Oeste-Leste (Fiol).
Nos eixos aquaviários, estão incluídas as implementações de terminais portuários em Cáceres (MT), Imperatriz (MA), Marabá (PA) e em três municípios do Tocantins (Aguiarnópolis, Miracema e Peixe) e mais três do Piauí (Teresina, Luís Correia e Guadalupe), além da expansão e ampliação de rodovias e complexos portuários.