Governo pode leiloar Ferrogrão em 2022, diz ministro

Um grande grupo empresarial já teria planos de investimento para a ferrovia que deve ligar o cinturão da soja do Brasil aos portos do Norte
Ministro Tarcísio de Freitas: Ferrogrão pode ser licitada em 2022 (Eduardo Frazão/Exame)
Ministro Tarcísio de Freitas: Ferrogrão pode ser licitada em 2022 (Eduardo Frazão/Exame)
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Bloomberg

Publicado em 16/11/2021 às 11:28.

Última atualização em 16/11/2021 às 11:59.

O Brasil poderia leiloar a polêmica Ferrogrão no ano que vem, depois que obstáculos legais forem resolvidos, segundo o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

Um grande grupo empresarial já tem planos de investimento para a ferrovia que ligaria o cinturão da soja do Brasil aos portos do Norte para embarcar o os grãos para a Ásia, disse o ministro. A construção do projeto, com quase 1.000 quilômetros, foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal devido ao risco de desmatamento na região.

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“A questão judicial é fácil de resolver”, disse Freitas em entrevista em Madri durante um roadshow de aeroportos, portos e rodovias. A venda da concessão da ferrovia, com investimento previsto de R$ 25,2 bilhões, “pode ser que saia o ano que vem, mas a grande questão é que vai sair, vai acontecer, é uma necessidade para o Brasil”, disse.

A Ferrogrão é um ponto de tensão entre ativistas globais e o governo do presidente Jair Bolsonaro. Ambientalistas alertam que o projeto pode agravar ainda mais a destruição da Amazônia ao incentivar o desenvolvimento de terras e colocar em risco comunidades indígenas nos arredores. O governo diz que a ferrovia vai impulsionar um dos principais setores de exportação agrícola do mundo e que o impacto ambiental será limitado.

A ferrovia será construída a 40 metros de uma rodovia existente, o que minimizaria os danos ambientais, disse Freitas. O ministro acrescentou que o projeto substituirá caminhões carregados com grãos que liberam um milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano. Também disse que a ferrovia não vai invadir nenhuma terra indígena.

Segundo Freitas, as alegações de destruição ambiental decorrem de uma guerra comercial internacional com o objetivo de prejudicar o setor agrícola do Brasil, um dos maiores produtores mundiais de grãos e carne. Acabar com o projeto ferroviário tornaria o país menos competitivo em relação a outros grandes produtores das chamadas soft commodities, como soja, café e açúcar.

“Quando a Ferrogrão entrar em operação, vamos ter uma redução de tarifa de 40%, e isso assusta muita gente”, disse Freitas. “E aí, para destruir a Ferrogrão, eles ficam batendo na questão do meio ambiente.”