Governo estuda reestruturar Inpe, órgão que monitora a Amazônia

Servidores ouvidos em condições de anonimato disseram que não foram dadas explicações sobre como a nova estrutura funcionaria

São Paulo — O Ministério da Ciência e Tecnologia está estudando uma reestruturação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão que esteve no centro de ataques do presidente Jair Bolsonaro no final de julho após virem à tona dados que indicavam uma alta de desmatamento da Amazônia, destaca o jornal O Estado de S. Paulo.

Na semana passada, o diretor interino Darcton Policarpo Damião, que assumiu o posto após a exoneração de Ricardo Galvão, apresentou aos servidores uma proposta que modifica o funcionamento do instituto.

Das 15 coordenações existentes hoje, que respondem diretamente à direção, Damião quer apenas quatro coordenações gerais, que responderiam pelos temas: ambiente, espaço e tempo e clima.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que hoje é órgão independente, seria incorporado ao Inpe.

Junto com a coordenação de Observação da Terra (responsável pelo monitoramento por satélite do desmatamento) e o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), passaria a compor a nova Coordenação Geral de Monitoramento, Modelagem e Análise.

Servidores ouvidos pela reportagem em condições de anonimato disseram que não foram dadas explicações sobre como a nova estrutura funcionaria. O jornal teve acesso ao áudio da reunião.

Damião disse que recebeu uma incumbência do ministro Marcos Pontes para fazer a reestruturação e indica que ela já foi aprovada. “Eu tive o sinal verde para falar sobre isso. Tenho convicção plena de que é para bem melhor”, disse.

Representantes do Comitê Técnico Científico, colegiado consultivo do Inpe, questionam o fato de a proposta ser apresentada antes mesmo da escolha do diretor permanente do Inpe.

Em nota, o ministério disse que “a reestruturação é um estudo em andamento, em que estão sendo levantados todos os dados e um diagnóstico sobre o aumento de eficiência e eficácia”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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