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Governo envia à Câmara requerimento para retirar urgência de projeto sobre fim da escala 6x1

Ação foi anunciada pelo líder do governo na Casa, Paulo Pimenta

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de junho de 2026 às 18h06.

Última atualização em 16 de junho de 2026 às 18h09.

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O líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou nesta terça-feira, 16, que o requerimento para retirar a urgência constitucional do projeto do Executivo que aborda o fim da escala 6x1 e a mudanças na jornada de trabalho foi encaminhado ao presidente da Câmara, Hugo Motta.

A medida libera a pauta de votações da Casa, que deixava de avançar enquanto a matéria permanecia em regime de urgência.

Segundo Pimenta, a retirada do mecanismo permitirá que o governo concentre esforços na regulamentação da proposta nos próximos passos da tramitação.

“O pedido de urgência foi retirado, e a pauta não está mais trancada. Já houve um diálogo e foi formalizado o requerimento, e já o encaminhei ao presidente Motta. Portanto, esse tema não entrará na reunião de hoje do Plenário”, declarou Paulo Pimenta.

O que muda com o fim da escala 6x1?

Hoje, a Constituição permite jornada de até 44 horas semanais, normalmente distribuídas em seis dias de trabalho e um de descanso. A PEC aprovada muda esse modelo e fixa dois pilares principais:

  • jornada máxima de 40 horas por semana;
  • dois dias de descanso semanal remunerado.

Na prática, a escala 6x1 deixa de existir como padrão constitucional de trabalho no país.

O texto aprovado também contraria propostas apresentadas pela oposição, de reduzir o salário proporcionalmente à redução da jornada. Segundo a Genial/Quaest, divulgada em 18 de maio, 56% da população é contra a mudança na escala acompanhada do corte de salário.

A mesma pesquisa apontou que 68% dos brasileiros aprovam o fim da escala 6x1 da forma que foi aprovada na Câmara, sem redução proporcional da remuneração dos trabalhadores.

Quando as novas regras começam a valer?

A mudança não será imediata. A PEC cria uma transição em duas etapas após a promulgação da emenda constitucional. O cronograma previsto é:

60 dias após a promulgação

  • jornada cai de 44 para 42 horas semanais;
  • trabalhadores passam a ter dois dias de descanso por semana;
  • Um dos dias de folga deverá ser preferencialmente aos domingos.

12 meses após a primeira redução

  • jornada máxima semanal passa definitivamente para 40 horas.

Segundo o relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos), o objetivo da transição é dar tempo para adaptação dos setores econômicos.

Na outra ponta, o imediatismo para colocar a proposta na prática vem do ano eleitoral, para que os eleitores votem sentindo os efeitos da mudança de escala.

A proposta já está valendo?

Não. Apesar da aprovação na Câmara, a PEC ainda precisa passar pelo Senado Federal. Como se trata de uma mudança na Constituição, o texto precisa:

  • ser aprovado em dois turnos no Senado;
  • obter apoio mínimo de três quintos dos senadores;
  • ser promulgado pelo Congresso Nacional.

Somente depois da promulgação começam a contar os prazos de transição.

Quem será afetado?

A proposta atinge trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente setores em que a escala 6x1 é mais comum, como:

  • comércio;
  • restaurantes;
  • hotéis;
  • serviços;
  • supermercados.

O texto aprovado também prevê que categorias específicas poderão ter regras complementares definidas por legislação própria, acordos coletivos ou convenções trabalhistas.

Segundo o Ministério do Trabalho, 14,8 milhões de trabalhadores celetistas que atuam no modelo 6x1 serão afetados. Há ainda 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas em escala 6x1.

O que muda para trabalhadores com salários mais altos?

Durante as negociações da proposta, governo e Câmara fecharam acordo para flexibilizar o controle de jornada de trabalhadores CLT com salários elevados.

A medida cria uma categoria semelhante à do “superempregado”, aqueles que têm diploma de Ensino Superior e renda mensal superior a duas vezes e meia o teto dos benefícios pagos pelo INSS (equivalente, hoje, a R$ 21.188,88).

Segundo a proposta, esses profissionais não terão limite de jornada nem controle de ponto, a menos que convenção ou acordo coletivo barre a flexibilização prevista na norma.

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