Flávio e Trump: a percepção de que o senador teve participação no processo foi compartilhada por quase metade dos entrevistados (Reprodução)
Colaboradora
Publicado em 10 de junho de 2026 às 16h08.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10, mostra que 47% dos eleitores acreditam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve influência na ameaça do governo americano de aplicar novas tarifas contra produtos brasileiros.
No início de junho, o governo Trump anunciou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral e sugeriu tarifas extras de 25%, com algumas exceções. A medida foi revelada após o encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump na Casa Branca em 26 de maio.
O objetivo declarado da visita era pedir ao presidente americano a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu de forma uníssona e rápida para responsabilizar Flávio e o seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), por um eventual novo tarifaço.
Segundo a pesquisa, 46% concordam com a interpretação da gestão petista de que a culpa da decisão americana é do senador do PL.
Já 36% concordam com a versão apresentada por Flávio Bolsonaro, segundo a qual a medida seria uma resposta às críticas feitas por Lula aos Estados Unidos. Outros 10% afirmam não concordar com nenhuma das duas explicações.
Embora não exista comprovação de que o encontro tenha influenciado diretamente a decisão americana, a percepção de que o senador teve participação no processo foi compartilhada por quase metade dos entrevistados.
Entre os motivos pela gestão americana citados está o PIX. O governo Trump afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos teria reduzido o espaço de empresas americanas de meios de pagamento, como Visa e Mastercard.
A pesquisa também mostrou que quatro em cada dez brasileiros afirmam ter mais vontade de votar em Lula após o anúncio das tarifas, enquanto 30% dizem se sentir mais próximos de Flávio Bolsonaro em razão da crise.
A medida encarece a entrada de produtos brasileiros no mercado americano, reduzindo a competitividade de exportadores nacionais e aumentando as incertezas para setores que dependem das vendas aos Estados Unidos.
A percepção dos brasileiros sobre a relação econômica entre os dois países também chama atenção; 57% acreditam que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos não é injusta e prejudica empresas americanas.