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Futuro presidente do PSDB, Leite critica incertezas da política fiscal de Lula

Tucano também disse ser 'um bálsamo' poder ser oposição ser ser atacado pelo presidente, em alusão a Bolsonaro

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Fernando Haddad: As declarações foram dadas a uma plateia de investimentos durante evento organizado pelo banco Credit Suisse em São Paulo (Tiago Coelho/Bloomberg via Getty Images/Getty Images)

Fernando Haddad: As declarações foram dadas a uma plateia de investimentos durante evento organizado pelo banco Credit Suisse em São Paulo (Tiago Coelho/Bloomberg via Getty Images/Getty Images)

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Agência O Globo

Publicado em 1 de fevereiro de 2023, 16h54.

O governador do Rio Grande do Sul e presidente nacional interino do PSDB, Eduardo Leite, criticou nesta quarta-feira o que chamou de "incerteza sobre os rumos da política fiscal" do governo Lula. Também disse que a escolha do nome de Fernando Haddad (PT) para o Ministério da Fazenda gerou dúvidas no mercado.

No atual governo federal, as mensagens ainda são ambíguas. Não era para ter dúvida afinal das contas. A dúvida e a incerteza geram riscos. E riscos são custos, acabam tendo de ser precificados a ponto de inviabilizar os negócios, os investimentos“, afirmou Leite. Apesar disso, disse que é preciso dar o "benefício da dúvida" a Lula.

As declarações foram dadas a uma plateia de investimentos durante evento organizado pelo banco Credit Suisse em São Paulo e marcam uma mudança no tom do discurso de Leite, que ao mesmo tempo buscará antagonizar com o PT e afastar-se do bolsonarismo. O governador deverá ser ratificado na presidência do PSDB na noite desta quarta-feira.

Leite afirmou que a escolha de Haddad para ministro da Fazenda "gera incerteza e dúvida" devido à "falta de retrospecto" do ex-prefeito de São Paulo na área econômica.

Ao comentar sobre a importância da aprovação de uma reforma tributária, o governador gaúcho afirmou que é preciso que Lula priorize a pauta.

A reforma tributária sair depende fundamentalmente da vontade do presidente da República. Se não tiver essa convicção do presidente, fica difícil. (...) Se a articulação for relegada a um segundo nível, não será aos olhos dos parlamentares que vão votar a bandeira (do governo)“, disse.

Leite afirmou não duvidar da intenção de Lula de "melhorar a vida das pessoas", mas que entende que os sinais dados sobre a política fiscal até o momento são "equivocados".

Muitos dos sinais sugerem que o que vem pela frente é mais parecido com o governo Dilma (...) que levou o país à maior recessão de sua história, ressaltou Leite.

O tucano também criticou o ex-presidente da República Jair Bolsonaro. De outro lado, para mim é um bálsamo poder voltar a discutir no âmbito da política sem ser agredido pelo presidente da Repúblia. Para o ex-presidente Bolsonaro, a responsabilidade nunca era sua, sempre a culpa era de terceiros, afirmou. Na visão de Leite, a beligerância bolsonarista travou a aprovação de reformas no país.

Leite ainda comentou a redução de tamanho do PSDB nas últimas eleições. A sigla, que comandou o governo paulista por 28 anos, não conseguiu eleger o ex-governador Rodrigo Garcia (PSDB). Para o governador gaúcho, a derrota é uma oportunidade para que o tucanato repense o partido.

O Estado de São Paulo é tão forte que acabava significando uma alavanca e ao mesmo tempo uma âncora para o partido. Pela força que tinha, acabava se impondo, disse.