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Flávio Bolsonaro diz que não fará 'economia em cima do salário mínimo' e de aposentados

O candidato também afirmou que o ajuste fiscal é uma prioridade em seu programa de governo

Senador Flávio Bolsonaro  (PL-RJ) (Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação)

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 28 de agosto de 2026 às 22h17.

Última atualização em 28 de agosto de 2026 às 23h36.

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O senador e candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta sexta-feira, 28, que "fará economia em cima" do salário mínimo caso seja eleito e que o ajuste fiscal é uma prioridade em seu programa de governo. A declaração sugere que ele não pretende mudar a atual regra de reajuste do mínimo, uma das medidas com maior capacidade de controlar as despesas do governo federal.

"Se o Brasil não tiver um ajuste fiscal forte, está fadado à falência de todo mundo", afirmou. Flávio também disse que as dívidas da população se devem à política econômica do governo Lula. "A culpa não é sua, é desse atual governo", concluiu.

As declarações ocorreram durante a entrevista dada pelo candidato ao Jornal Nacional, na TV Globo, a penúltima do ciclo de sabatinas com candidatos à presidência. Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Lula (PT) já participaram das entrevistas nesta semana.

Quando questionado sobre os reajustes de salário mínimo e de aposentadorias, ele negou que irá cortar o valor do piso de renda. "Quem recebe salário mínimo hoje está perdendo o poder de compra devido à gastança do governo. Vou fazer um tesouraço dos gastos e nos cargos comissionados", afirmou. "Ninguém mais acredita que esse governo faça ajuste fiscal."

A agenda fiscal de Flávio é um dos principais pontos de sua campanha de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reflete uma preocupação com a trajetória da dívida pública e dos gastos obrigatórios.

Em contraste, o governo Lula defende a continuidade de sua estratégia fiscal e afirma ter avançado com o arcabouço fiscal, medidas de controle de despesas e revisão de benefícios tributários.

Na sabatina desta quinta-feira, 27, o petista discutiu a questão com os jornalistas. "80% do PIB em dívida pública não é muito se olharmos para os Estados Unidos, para o Japão, para a Itália", disse o líder do executivo.

"A mim não preocupa a dívida pública", afirmou, complementando que uma parte do valor da dívida decorre da elevada taxa de juros. "Se tem uma coisa que baliza minha vida, chama-se responsabilidade fiscal."

Campanha de Flávio promete 'tesouraço' em impostos e burocracia

A política fiscal é um dos pilares da agenda econômica de Flávio Bolsonaro no caso de um eventual governo entre 2027 e 2030. A campanha defende uma reforma do Estado combinada a medidas de ajuste das contas públicas, redução de impostos e burocracia e mudanças na gestão das empresas e do patrimônio da União.

As propostas foram apresentadas por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, durante o evento Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate, promovido pela EXAME e pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), em São Paulo, nesta terça-feira, 25.

Segundo Marques, a intenção é concentrar nos primeiros 100 dias de um eventual governo medidas consideradas estruturantes, aproveitando o capital político do início do mandato.

Entre as prioridades está uma PEC fiscal, apresentada pela campanha como instrumento para reorganizar as contas públicas e reduzir o peso dos juros. A proposta seria acompanhada por um "tesouraço" em impostos e burocracia, além de medidas para elevar a produtividade e reduzir o chamado Custo Brasil.

Propostas de privatizações

A campanha também associa o ajuste fiscal a uma reforma mais ampla da administração pública. Daniella Marques defende a digitalização dos serviços, a reorganização da estrutura do governo, a revisão dos imóveis da União e o fortalecimento da Lei das Estatais.

A ideia é, segundo ela, reduzir estruturas consideradas ineficientes e utilizar tecnologia, inclusive inteligência artificial, para diminuir custos e facilitar o acesso da população aos serviços públicos.

Na avaliação da economista, o país enfrenta um esgotamento de um modelo baseado na expansão da renda e do consumo acompanhada pelo aumento dos gastos públicos.

Marques afirma que a saída seria ampliar a produtividade, reduzir custos para empresas e diminuir o peso da máquina pública sobre contribuintes e atividade econômica.

A campanha também defende a revisão de marcos regulatórios e mudanças na governança das estatais. Entre as discussões citadas está a privatização dos Correios, que havia sido uma das iniciativas do governo de Jair Bolsonaro, mas não foi concluída.

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