Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 12h54.
Última atualização em 13 de agosto de 2026 às 15h21.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece filiado ao Missão no sistema de filiações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde a noite de quarta-feira, 12. A filiação indevida é atribuída pelo presidenciável bolsonarista a uma fraude, mas o TSE afirma que não houve hackeamento do sistema, e sim de "uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações".
Já o Missão, que tem como presidenciável Renan Santos, líder do Movimento Brasil Livre (MBL), diz em nota que avisou o gabinete do senador por e-mail sobre uma tentativa de filiação de Flávio à sigla no dia 2 de agosto e que a mensagem foi aberta, mas não respondida.
Certidão de filiação partidária de Flávio Bolsonaro mostra filiação ao Missão (Reprodução/TSE)
A EXAME confirmou no sistema do TSE que a filiação equivocada de Flávio ao Missão foi registrada no dia 12 de agosto, mesma data em que aparece a sua suposta desfiliação do PL, também equivocada.
O erro no sistema do TSE impediu o registro da candidatura de Flávio a dois dias do prazo final estipulado pelo próprio TSE.
Ao constatar a filiação ao Missão, a advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representa a candidatura de Flávio Bolsonaro, protocolou, na manhã desta quinta-feira, um pedido à presidência do TSE para que seja feita a exclusão do registro equivocado e o restabelecimento da filiação do senador ao PL, para que o registro da candidatura possa ser realizado.
Em nota, o TSE afirma que a filiação "não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações".
"O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária", diz a nota.
O pedido de exclusão da assinatura feito pela candidatura de Flávio está em análise pelo ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal.
Em nota, o Missão diz que "foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro". Já Renan Santos diz que tem como comprovar "que alguém acessando o e-mail do Flávio apertou o botão de confirmação da filiação e ainda apertou o botão para acessar nosso app de militância".
É o seguinte: nós temos como COMPROVAR que alguém acessando o e-mail do Flávio apertou o botão de confirmação da filiação e ainda apertou o botão para acessar nosso app de militância.
Essa história vai ficar feia para os envolvidos.
— Renan Santos⬛️🟨⬜️ (@RenanSantosMBL) August 13, 2026
"Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE. O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos", prossegue a nota do partido de Renan Santos.
A sigla diz que já adota "providências cabíveis" junto à Polícia Federal e ao TSE para identificar e punir os responsáveis pela fraude e afirma também que encaminhou um relatório com todos os logs, e-mails e IPs às autoridades.
"Ressaltamos, ainda, que não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção. O Partido Missão reafirma que não compactua com filiações de natureza fraudulenta e repudia veementemente episódios dessa natureza", conclui o documento.