EXAME Política: vacinação atrasada e populismo farão de 2021 mais um "ano perdido"

Construção de uma candidatura de centro forte pode ser a solução para que o Brasil escape da polarização que deve marcar o país até a próxima eleição; ouça mais no podcast

Quase três meses após o pagamento das últimas parcelas do auxílio emergencial, a PEC que garante a continuidade do pagamento foi aprovada nesta semana no Congresso. Apesar da possibilidade de trazer algum alívio à já fragilizada economia brasileira, a medida vem em um momento em que recordes sucessivos no número de mortes pela covid-19 contrastam com um ritmo lento de vacinação — o que, na opinião da economista Ana Carla Abrão, head do escritório Oliver Wyman, deve colaborar para que 2021 seja mais um ano perdido para a economia brasileira.

"Nós estamos vendo o país fechando e, pelos números, é isso que tem de acontecer mesmo. Mas a economia, obviamente, vai junto para o buraco e o ano de 2021 vai ser perdido, porque ainda que cresçamos 3%, nós estamos correndo atrás de um empobrecimento de mais de 10%", explicou Abrão no novo episódio do podcast EXAME Política. "Nosso ciclo recessivo começou em 2014 e, sete anos depois, ainda não recuperamos as perdas. Este ano não vai ajudar nesse sentido também. Vamos crescer 3,5%, sobre uma queda de 4,5% no ano passado — o que é absolutamente nada."

As perdas não se restringem à produtividade. Nesta semana, o Banco Central deve iniciar precocemente um ciclo de alta da taxa Selic para conter a disparada do dólar em relação ao real. Segundo Abrão, uma taxa básica de juro semelhante ao que se vê no resto do mundo é uma das conquistas que se perdem como consequência da deterioração fiscal do país. "A roda agora está girando para o lado contrário, e a inflação é o reflexo principal disso", explicou a economista no podcast.

Abrão avalia ainda que a PEC emergencial, que originalmente continha contrapartidas fiscais ao auxílio emergencial, foi bastante desidratada durante sua rápida tramitação no Congresso, inclusive com o apoio do Palácio do Planalto. O movimento é um sinal de que as medidas populistas de Bolsonaro devem perdurar, potencializando o cenário de deterioração fiscal do Brasil — um cenário que, segundo ela, pode ser interrompido com o surgimento de uma forte candidatura de centro para 2022.

A retomada do auxílio em bases menores não vai dar o impulso que a gente viu no ano passado e o presidente vai continuar escalando nessa agenda populista, deteriorando ainda mais as condições fiscais do país e comprometendo ainda mais nossa capacidade de retomar o crescimento. Temos de apostar que o centro vai conseguir criar uma candidatura de consenso para que possamos seguir em frente na história.

Ana Carla Abrão, economista e head do escritório da Oliver Wyman no Brasil

Pesquisa EXAME/IDEIA 

Os cenários políticos para 2022 também foram assunto do último episódio do podcast EXAME Política. Fundador do IDEA Big Data, Maurício Moura lembrou que a próxima eleição será marcada por um forte sentimento de rejeição, tanto a Lula quanto a Bolsonaro — incluindo também todos os presidenciáveis que já estão no jogo, que na última pesquisa EXAME/IDEIA apareceram com pelo menos 30% de rejeição.

"Existe um estresse da opinião pública em relação ao nomes que estão postos, o que abre bastante espaço para uma terceira via ainda inédita entre esses dois polos. Mas esse panorama também beneficia o favoritismo de Bolsonaro, que ganha em todos os cenários de segundo turno", explicou Moura no podcast EXAME Política, que é mediado pela editora de macroeconomia da EXAME, Fabiane Stefano.

O podcast EXAME Política vai ao ar todas as sextas-feiras com os principais temas da eleição americana. Clique aqui para ver o canal no Spotify, ou siga em sua plataforma de áudio preferida, e não deixe de acompanhar os próximos programas.

 

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