Repórter
Publicado em 7 de julho de 2026 às 11h23.
A viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, planejada para reforçar sua projeção internacional, ocorre em um momento delicado para a própria campanha presidencial.
A poucos dias do início das convenções partidárias, dirigentes do PL intensificaram as cobranças por definições sobre candidaturas ao Senado, governos estaduais e alianças consideradas essenciais para a disputa de 2026.
Nesta terça-feira, 7, o senador participa, em Washington, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), etapa final da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão sobre uma tarifa adicional de 25% para produtos brasileiros.
Nos bastidores, porém, o principal foco de preocupação de aliados está do outro lado do continente.
Com as convenções partidárias previstas para começar na próxima semana, lideranças do PL avaliam que a campanha precisa deixar para trás a fase das negociações e entrar, de fato, em ritmo eleitoral. A demora para arbitrar disputas regionais passou a gerar desconforto entre dirigentes estaduais e pré-candidatos.
Segundo O Globo, integrantes do partido afirmam que a coordenação nacional tem adiado decisões consideradas fundamentais para a montagem dos palanques estaduais. A avaliação é que isso dificulta a organização das campanhas justamente na reta final antes da oficialização das candidaturas.
O caso mais sensível é o do Rio de Janeiro. A expectativa era de que Flávio anunciasse na semana passada o candidato do PL ao Senado, encerrando meses de disputa entre Sóstenes Cavalcante, Carlos Portinho e Carlos Jordy. O anúncio, no entanto, foi novamente adiado.
As indefinições não se restringem ao Rio. No Distrito Federal, a composição da chapa ao Senado continua dependendo de uma decisão de Michelle Bolsonaro sobre disputar ou não a eleição. Enquanto isso, outras lideranças aguardam a definição da ex-primeira-dama para saber qual espaço ocuparão.
Em Pernambuco, o partido ainda discute se terá candidato próprio ao Senado. No Ceará, dirigentes tentam reorganizar o palanque depois da crise envolvendo Michelle Bolsonaro e a vereadora Priscila Costa, episódio que desgastou a relação entre diferentes alas do partido.
Mato Grosso e Minas Gerais também seguem sem definição. No primeiro estado, o PL resiste à pressão do Republicanos para rever o apoio ao senador Wellington Fagundes. Já em Minas, o partido ainda avalia se apoiará o senador Cleitinho (Republicanos) ou lançará o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ao governo estadual.
Aliados reconhecem que parte da demora está ligada ao papel de Jair Bolsonaro nas negociações. O ex-presidente continua sendo consultado antes das principais decisões e ainda não apresentou a lista definitiva de candidatos que pretende apoiar nos estados, documento aguardado por dirigentes desde junho.
Segundo integrantes da campanha, essa centralização retardou anúncios considerados estratégicos e alimentou a percepção de que temas nacionais acabaram ocupando espaço das articulações estaduais nos últimos meses.
Enquanto o partido tenta resolver os impasses, Flávio concentra sua agenda nos Estados Unidos. Na audiência do USTR, a expectativa é que o senador defenda a suspensão das tarifas sobre produtos brasileiros, retire o Pix do centro da disputa comercial e argumente pela abertura de negociações entre Brasília e Washington.
Após o compromisso, Flávio retorna ao Brasil e seguirá para agendas em Pernambuco e no Ceará. Nos bastidores do PL, de acordo com o jornal, a expectativa é que a volta do senador marque também o início de uma sequência de definições consideradas indispensáveis para que a campanha avance antes das convenções.
Com informações de O GLOBO.