Flávio: visão é que a precificação consolidade da reeleição de Lula mudou (Vittor Sales/Divulgação pré-campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 10h15.
A percepção entre agentes do mercado financeiro e empresários é que o cenário eleitoral mudou nas últimas semanas: a expectativa de uma reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que predominava até julho, deu lugar a uma disputa mais aberta após o avanço de Flávio Bolsonaro em levantamentos recentes.
Ouvidos reservadamente pela EXAME, integrantes do mercado financeiro e executivos de empresas brasileiras avaliam que houve uma mudança na percepção sobre a eleição de 2026. A visão é de que houve uma "virada de maré" a favor do senador do PL.
Apesar disso, ponderam que revelações relacionadas ao caso Dark Horse e ao Banco Master ainda tornam o cenário imprevisível.
A leitura que predominava até julho era de um cenário mais favorável à reeleição de Lula. Na época, agentes ouvidos pela EXAME afirmavam que Flávio estava em uma linha de tiro e desgastado com as revelações relacionadas à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A resiliência e o crescimento de Flávio surpreenderam empresários brasileiros, que veem a polarização e o desgaste da imagem do presidente Lula como fatores que explicam os últimos números eleitorais.
O movimento fez investidores revisarem seus cenários de probabilidade e incorporarem uma disputa mais apertada. A avaliação é que, independentemente dos próximos movimentos políticos, Lula e Flávio Bolsonaro mantêm bases eleitorais relevantes e que a definição pode depender de uma parcela menor do eleitorado.
Pesquisas de acompanhamento de agentes do mercado, conhecidas como trackings, monitoramentos frequentes de intenção de voto, indicariam um cenário mais favorável ao senador, com um possível avanço de Flávio até o fim do primeiro turno com a desidratação de candidatos da chamada terceira via.
A pesquisa Quaest, divulgada na manhã desta segunda-feira, 14, mostrou Flávio numericamente à frente de Lula pela primeira vez desde o início da campanha eleitoral.
Apesar da percepção de avanço de Flávio Bolsonaro, novos desdobramentos relacionados ao caso Dark Horse e ao Banco Master, além da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a ser vistos como fatores capazes de alterar o ambiente eleitoral.
Na sexta-feira, 11, o ministro André Mendonça derrubou o sigilo de todas as investigações. O conteúdo ainda não foi disponibilizado. Mais cedo, foi revelado que Mendonça abriu um inquérito para investigar Flávio Bolsonaro por suposta lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Um agente do mercado ouvido pela EXAME avalia que a polarização entre Lula e Flávio pode limitar o impacto eleitoral de novas revelações. Segundo essa leitura, parte relevante do eleitorado já possui posições consolidadas sobre os dois principais nomes da disputa.
Mesmo com os novos desdobramentos no STF, a avaliação de interlocutores do mercado é que o cenário mais provável continua sendo uma disputa entre Lula e Flávio no segundo turno. Pequenas mudanças na percepção do eleitorado, no entanto, podem alterar a distância entre os candidatos.
A percepção entre agentes financeiros é que, mesmo com grandes revelações contra um ou outro candidato, a eleição deve ser decidida pela capacidade de cada candidato de preservar sua base eleitoral e conquistar eleitores que rejeitam o adversário.
A disputa, segundo essa leitura, tende a ser definida por uma diferença pequena de votos, em um cenário que passou de uma expectativa de maior previsibilidade no início do ano para uma corrida considerada mais aberta, mas com favoritismo para o senador do PL, neste momento.