Ministro da Fazenda, Dario Durigan
Repórter especial em Brasília
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 14h51.
Última atualização em 24 de setembro de 2026 às 15h01.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 24, que a empresa Entre Investimentos e Participações recebeu dinheiro do crime organizado. Alvo da Operação Carbono Oculto, a Entre teria intermediado repasses ligados ao filme Dark Horse e enviou US$ 12,33 milhões ao fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Entre Investimentos e Participações Ltda., controlada por Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, recebeu dinheiro do crime organizado. A empresa é apontada pela Polícia Federal como intermediária dos repasses de Daniel Vorcaro ao fundo Havengate, supostamente destinados ao financiamento do filme Dark Horse.
A Entre Investimentos foi alvo, nesta quinta-feira, 24, da terceira fase da operação Carbono Oculto, que desarticulou um esquema de precatórios do Banco Master para ocultar a compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, a Terrana.
"Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações (os repasses para financiar Dar Horse) vem de uma mesma entidade, de um mesmo bolso. E aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa. Se você tem dinheiro do PCC, tem dinheiro de usina, do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo bolso, no mesmo fundo, é um trabalho de investigação identificar o que que saiu desse fundo, seja para as delações que estão sendo feitas aqui em Brasília, seja para as apurações do Supremo, seja para as apurações que estão feitas em São Paulo (...). Mas tudo indica que sim", afirmou o ministro da Fazenda.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas e 19 empresas, em sete estados: 26 delas em São Paulo e uma em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Freixo Júnior teve uma delação premiada homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ele seria operador de Vorcaro.
Conhecido como Mineiro, o empresário fez sete repasses ao fundo Havengate, sediado no Texas, Estados Unidos e fundado pelo advogado e amigo de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto. As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025 e somam US$ 12,33 milhões.
Em 22 de julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito para investigar a atuação de Flávio Bolsonaro no desenho de financiamento de Dark Horse.
No pedido de instauração do inquérito, a Polícia Federal menciona que o fundo Havengate, receptor dos recursos depositados por Vorcaro para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, foi criado em 2020 pelo advogado Paulo Calixto e por seu sócio, Altieris Santana, mas permaneceu inerte até fevereiro de 2025, quando passou a receber dinheiro do controlador do Master. O fundo originalmente era destinado a operações imobiliárias.
A primeira remessa foi de US$ 2 milhões, operacionalizada pela Entre Investimentos. Calixto é advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e deputado cassado que vive no Texas.
Segundo a PF, Eduardo Bolsonaro apresentou "orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos, com menção à possibilidade de envio da maior quantidade possível de valores pelo modelo então em curso", referindo-se às remessas via Havengate.
A prova mencionada pela PF é um print de mensagens supostamente de Eduardo Bolsonaro enviado pelo publicitário Thiago Miranda a Vorcaro, em 21 de março de 2025. Miranda atuava como operador do banqueiro e elo entre ele e os Bolsonaro na negociação dos repasses ao filme Dark Horse.
"A reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos", afirma a PF no documento.
O ministro da Fazenda afirmou que a Entre Investimentos recebeu dinheiro do crime organizado. Segundo Dario Durigan, tudo indica que recursos do PCC, de usinas e de distribuidoras de combustíveis do crime organizado foram reunidos no mesmo fundo que financiou outras operações.
A Entre Investimentos foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto por suspeita de participação em um esquema com precatórios do Banco Master. Segundo a investigação, a operação teria ocultado a compra da distribuidora de combustíveis Terrana.
A Polícia Federal aponta a Entre Investimentos como intermediária de repasses de Daniel Vorcaro ao fundo Havengate, supostamente destinados ao financiamento do filme Dark Horse. A primeira remessa, de US$ 2 milhões, foi operacionalizada pela empresa.
Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, fez sete repasses ao fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025, no total de US$ 12,33 milhões. Freixo Júnior controla a Entre Investimentos e seria operador de Daniel Vorcaro.
O Havengate é um fundo sediado no Texas, criado em 2020 por Paulo Calixto e Altieris Santana para operações imobiliárias. Segundo a Polícia Federal, o fundo permaneceu inativo até fevereiro de 2025, quando começou a receber recursos do controlador do Banco Master.
O inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, investiga a atuação de Flávio Bolsonaro no desenho do financiamento de Dark Horse. Segundo a Polícia Federal, mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro continham orientações sobre a gestão e o envio dos recursos aos Estados Unidos por meio do Havengate.