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Embaixada dos EUA avisou autoridades do Brasil que enviados de Trump teriam encontro com Flávio

Governo brasileiro negou vistos para Riley Bernes e Samuel Samson

Samuel Samson (à esquerda) e Riley Barnes, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que tiveram vistos negados pelo governo brasileiro

Samuel Samson (à esquerda) e Riley Barnes, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que tiveram vistos negados pelo governo brasileiro

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 29 de julho de 2026 às 18h10.

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A embaixada dos Estados Unidos no Brasil comunicou às autoridades brasileiras que os funcionários públicos americanos Riley Barnes e Samuel Samson se encontrariam com o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante sua estadia no Brasil. A viagem, contudo, foi frustrada porque o Brasil negou vistos a ambos.

O plano de Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado americano, e de Samson, subsecretário-adjunto, foi informado ao governo brasileiro, que negou os vistos aos enviados de Trump por considerar que a comitiva viria corroborar teorias da conspiração sobre o processo eleitoral brasileiro.

No governo Lula, a percepção é de que, embora não ter negado os vistos seja uma prerrogativa do Brasil, o fato pode ter retaliações dos americanos, mas provavelmente não na área comercial. O cenário considerado mais factível é que os EUA recusem ou revoguem vistos a oficiais brasileiros.

Samson, por exemplo, foi tratado em reportagem do jornal americano The New York Times como um dos responsáveis no governo Trump por travar uma "guerra cultural contra a Europa".

Além da comunicação sobre o encontro com Flávio Bolsonaro, houve ainda pedidos de audiências com autoridades brasileiras. 

Reservadamente, um integrante do governo Lula afirma que não houve, por parte do governo americano, a garantia de que não haveria tentativa de politização da visita e que, dado o perfil ideológico dos solicitantes.

A EXAME apurou que os americanos entraram com pedidos de vistos por meio do consulado-geral do Brasil em Washington no dia 20 de julho, transmitidos ao Itamaraty por meio de uma nota verbal. O mecanismo é usado para a comunicação diplomática escrita entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e postos diplomáticos ao redor do planeta.

Uma pessoa familizarizada com o assunto no governo brasileiro diz que chamou a atenção, além do perfil ideológico dos dois funcionários americanos, o timing da visita, que ocorreria após reunião do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em que o presidenciável repetiu a uma reunião com diplomatas acusações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras.

No governo brasileiro, predomina a impressão de que as relações diplomáticas com os Estados Unidos têm sido ditadas, pelo lado americano, por ideólogos ligados à Secretaria de Estado, comandada pelo ex-senador Marco Rubio.

Um integrante da gestão de Lula com acesso ao presidente afirma que os dois tarifaços contra exportações brasileiras, de 25% e 12,5%, editados nas últimas semanas sem considerar que os Estados Unidos mantêm uma relação comercial superavitária com o Brasil, reforçam essa impressão.

Em especial, a manifestação de Rubio, em 16 de julho, culpando o "ego de Lula" pelo anúncio da tarifa de 25%, evidenciou a suposta intenção do secretário de influenciar o processo eleitoral brasileiro.

Até o momento, o governo não recebeu mais pedidos de visto de autoridades americanas. Embora os Barnes e Samson possam solicitar os vistos novamente, não o fizeram até o momento.

Procurada, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil disse que não compartilha informações sobre reuniões privadas.

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