Colaboradora
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 14h06.
O Brasil aprendeu mais nos últimos 20 anos, mas o ritmo desse avanço ainda varia muito de estado para estado e de acordo com o nível educacional.
É essa a principal conclusão de um novo estudo do Todos Pela Educação, divulgado nesta quinta, 20, com base nos resultados mais recentes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), publicados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em agosto.
A pesquisa cruza duas décadas de dados, de 2005 a 2025, e analisa não apenas para a nota média dos estudantes, mas para a proporção deles em diferentes níveis de aprendizagem, do "abaixo do básico" ao "adequado".
Entre os estados, o Paraná se destaca com os melhores percentuais de aprendizagem adequada no 5º ano do Ensino Fundamental em Língua Portuguesa e Matemática. Ceará, Goiás, Piauí e Rio Grande do Sul também aparecem entre os que mais avançaram nas etapas seguintes.
A seguir, um raio-x do que mudou na educação brasileira nas últimas duas décadas e do que ainda trava os avanços.
A resposta curta é: melhorou, mas de forma desigual. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o progresso foi o mais expressivo de toda a Educação Básica.
Em 2025, 60,7% dos estudantes do 5º ano da rede pública alcançaram o nível adequado de aprendizagem em Língua Portuguesa, e 50,6% em Matemática. Esses percentuais quase triplicaram e mais que triplicaram, respectivamente, em relação a 2005.
A parcela de estudantes no nível mais crítico, abaixo do básico, também recuou para 11% em Língua Portuguesa e 16,9% em Matemática, superando inclusive os patamares registrados antes da pandemia.
No 9º ano, os avanços em duas décadas também foram relevantes, ainda que mais tímidos. O percentual de estudantes com aprendizagem adequada mais que dobrou em Língua Portuguesa e dobrou em Matemática, chegando a 38,3% e 18,8% em 2025.
Já a recuperação pós-pandemia em Matemática ainda não se completou: 29,3% dos estudantes seguem abaixo do básico na disciplina, um índice pior do que o de 2019.
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O Ensino Médio segue sendo a etapa mais desafiadora. Em Língua Portuguesa, o percentual de estudantes com aprendizagem adequada mais que dobrou em 20 anos, para 35,2%.
Em Matemática, o avanço foi mínimo, de 5,2% para 8,5%, o que significa que menos de um em cada dez estudantes termina o Ensino Médio com aprendizagem adequada na disciplina. Quase seis em cada dez alunos concluem a Educação Básica com desempenho abaixo do básico em Matemática.
Entre 2023 e 2025, o cenário por estado também mostra avanços amplos, mas irregulares. No 5º ano, todos os estados aumentaram a proporção de estudantes no nível adequado e reduziram a parcela abaixo do básico, tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática.
No 9º ano, 20 estados melhoraram em Língua Portuguesa e 23 em Matemática, com Paraná, Ceará e Goiás entre os que atingiram os maiores níveis de aprendizagem adequada.
Já Rio de Janeiro, Rondônia e Tocantins registraram queda no percentual de estudantes no nível adequado nas duas disciplinas.
No Ensino Médio, 22 estados avançaram em Língua Portuguesa e todos os 27 melhoraram em Matemática no biênio. Piauí e Rio Grande do Sul tiveram os maiores avanços e os melhores resultados em Matemática e Língua Portuguesa, respectivamente.
Por outro lado, Rio de Janeiro, Amapá e Roraima tiveram queda no nível adequado em Língua Portuguesa e aumento no percentual de estudantes abaixo do básico nas duas disciplinas.
Entre as capitais e grandes cidades, Florianópolis se destaca como a rede municipal que mais avançou, tanto no 5º quanto no 9º ano, elevando o percentual de aprendizagem adequada e reduzindo o de estudantes abaixo do básico nas duas etapas.
Curitiba e Teresina também tiveram avanços expressivos no 5º ano, enquanto Belo Horizonte e Vitória se destacaram no 9º ano.
De acordo com o estudo, o primeiro grande desafio é o ritmo. O novo Plano Nacional de Educação estabelece metas ambiciosas para 2036, como:
Nenhum estado, porém, já atingiu essas metas, e o estudo aponta que o país precisa acelerar significativamente o ritmo de melhoria observado até aqui.
O segundo desafio é melhorar os resultados em Matemática.
Em todas as etapas avaliadas, matemática apresenta os piores resultados e a recuperação mais lenta em relação ao período pré-pandemia. No Ensino Médio, o cenário chega a ser de estagnação, já que o percentual de estudantes abaixo do básico em Matemática está praticamente no mesmo patamar de 2005.
Outro ponto de atenção é a desigualdade entre etapas: os ganhos conquistados nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental ainda não se sustentam da mesma forma ao longo da trajetória escolar.
Segundo o estudo, os desafios educacionais aparecem cedo, já no 5º ano, e se agravam nos Anos Finais e no Ensino Médio, o que exige políticas de recomposição de aprendizagem contínuas, e não pontuais.
Por fim, há o desafio da desigualdade entre redes e territórios.
Enquanto estados como Paraná, Ceará, Goiás e Piauí e municípios como Florianópolis mostram que é possível avançar de forma consistente, outros, como Rio de Janeiro, Amapá e Roraima, pioraram em indicadores importantes no último biênio.