Em inglês, Ernesto Araújo e Gilmar Mendes trocam farpas por reportagem da CNN americana

Araújo fez postagens em inglês questionando uma reportagem da CNN nos Estados Unidos e citou o STF. O ministro Gilmar Mendes rebateu as declarações

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, usou seus mais recentes posts no Twitter para rebater, em inglês, uma reportagem da rede de televisão CNN nos Estados Unidos. Os motivos são a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro em medidas de contenção da pandemia e os testes ainda iniciais do spray nasal israelense que o governo brasileiro tenta comprar.

Na reportagem da CNN americana, especialistas entrevistados compararam a gestão Bolsonaro à do ex-presidente americano, Donald Trump, que deixou o cargo em janeiro. Afirmam, ainda, que o alto número de mortes pela covid-19 no Brasil é resultado de "uma liderança política fracassada".

Araújo diz que a CNN "entendeu tudo errado" sobre as políticas brasileiras contra a covid-19. Postando um trecho da reportagem, o ministro argumenta que a Presidência "perdeu toda a autoridade para estabelecer/administrar medidas de distanciamento social" após a medida do STF em abril que deu a governadores e prefeitos a liberdade para também implementarem medidas de restrição contra a covid-19.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, também entrou na discussão quando o STF foi citado. Na prática, o governo federal seguiu tendo competência para implementar medidas nacionais contra a pandemia, mesmo com a decisão do STF.

Mendes disse, também em inglês, que as falas de Araújo eram mentira e que "todos os níveis de governo são responsáveis pelo desastre que estamos enfrentando".

Após o bate boca, nesta quinta-feira, 11, Araújo respondeu ao ministro e voltou a falar sobre o assunto, dizendo que os governadores "tomaram todas as medidas que queriam" e que "restou ao governo federal pagar a conta".

Fala parecida foi adotada por Bolsonaro em discurso na Assembleia Geral da ONU, e o STF, na ocasião, emitiu nota conjunta dizendo que o combate à pandemia é de responsabilidade das três esferas de poder, incluindo aplicações de possíveis restrições.

Além da jurisprudência na pandemia, Araújo cita ainda a viagem da comitiva brasileira a Israel para negociar a compra do spray nasal EXO-CD24 contra a covid-19. O chanceler afirma que essa é uma das medidas do presidente Jair Bolsonaro para combate à pandemia e que o presidente brasileiro mostrou "a liderança necessária para lutar contra a covid-19".

Araújo chamou o medicamento de "o mais promissor remédio contra a covid-19 em teste". Mas, como o medicamento ainda está em fase inicial de desenvolvimento, com 30 voluntários testados na fase 1, não se sabe ainda números oficiais de eficácia do produto. A expectativa é que a fase 1 de testes do remédio seja concluída no fim de março.

Após as conversas em Israel, o assessor para assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Filipe Martins, afirmou que o remédio pode ter fases 2 e 3 de testes no Brasil.

Fizeram parte da delegação brasileira em Israel, além de Araújo e Martins, nomes como os deputados Eduardo Bolsonaro e Hélio Lopes e o ministro das Comunicações, Fábio Wajngarten.

O Brasil tem sido tema de uma série de reportagens interacionais recentes em meio aos recordes de novos mortos por covid-19, intensificados pela variante P1 do coronavírus, encontrada em Manaus e que já se espalha pelo país. Nesta quarta-feira, 10, o Brasil registrou pela primeira vez mais de 2.000 mortos em um mesmo dia em decorrência da pandemia.


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