(Gustavo Moreno/STF)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 12h07.
Última atualização em 4 de setembro de 2026 às 12h14.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu nesta sexta-feira, 4, o fim do inquérito das fake news e a adoção de um código de ética para a Corte.
A declaração ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, também estava presente no evento.
Fachin afirmou que os “acontecimentos recentes”, relacionados ao envolvimento de ministros do STF com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, reforçam a urgência dessas medidas e também da modernização do sistema de Justiça.
“Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça”, disse Fachin.
A fala ocorreu durante a cerimônia de sanção do projeto que cria o Fundo Especial da Justiça Federal (Fejufe) e o Fundo Especial do Superior Tribunal de Justiça (FESTJ).
O presidente do STF acrescentou que não haverá “precipitação”, mas também descartou omissão por parte da Corte. “A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse.
O ministro não detalhou no discurso um cronograma para encerrar o inquérito nem para implementar o código de ética. A investigação sobre fake news foi aberta pelo próprio STF em 2019 e ficou sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Já a criação de regras de conduta para os integrantes da Corte está entre as pautas defendidas por Fachin desde que assumiu a Presidência do Supremo.
Antes de citar as metas de sua gestão, porém, Fachin fez uma manifestação sobre a situação interna do Supremo. Sem mencionar ministros nominalmente, o presidente da Corte afirmou que os fatos sob análise serão apurados dentro dos procedimentos previstos na Constituição e na legislação.
“Faremos o que é certo no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. As instituições da República precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição, nenhum Poder está acima da lei e nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito”, disse.
“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais”, afirmou Fachin.No discurso preparado para o evento, Fachin destacou a cooperação entre os Poderes e afirmou que o fortalecimento das instituições do sistema de Justiça amplia a capacidade de atendimento à população.
As declarações ocorrem no mesmo dia em que Fachin decidiu retirar do inquérito das fake news documentos enviados por Alexandre de Moraes com acusações contra o ministro André Mendonça. O material passou a tramitar em um procedimento sob responsabilidade da Presidência do STF.
Na prática, Fachin separou do inquérito relatado por Moraes a análise das acusações contra Mendonça e concentrou o caso em seu gabinete. A decisão alcança um despacho e relatórios de inteligência da Polícia Federal encaminhados por Moraes na quinta-feira, 3. Os documentos apontam supostas irregularidades atribuídas a Mendonça na condução de investigações relacionadas às operações Compliance Zero e Sem Desconto.
Fachin determinou ainda que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a admissibilidade e a regularidade do procedimento adotado por Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá cinco dias úteis para apresentar parecer. Na sequência, Mendonça terá o mesmo prazo para responder.
No despacho, Fachin afirmou que as providências têm caráter de instrução e não representam uma decisão antecipada sobre a validade das acusações contra Mendonça. Depois das manifestações de Gonet e do ministro, o procedimento retornará à Presidência do STF para uma decisão sobre a admissibilidade e a regularidade das medidas adotadas por Moraes.
O episódio ampliou a tensão entre integrantes do Supremo nos últimos dias. Moraes apontou supostos crimes cometidos por Mendonça depois que o ministro retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, ao próprio Moraes. A PGR também questionou a regularidade da produção de informações sobre integrantes da Corte e sustentou que uma investigação contra ministro do STF exige autorização prévia do plenário.