Supermercados: O presidente da Abras também não descarta movimentos de aquisições no setor como forma de acelerar a entrada dos supermercados no mercado farmacêutico (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 28 de março de 2026 às 09h00.
O setor de supermercados deve começar a instalar farmácias dentro das lojas ainda em 2026 com a sanção da nova lei, segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi.
A avaliação é de que a implementação será gradual, mas com primeiros movimentos já no curto prazo.
“Ainda neste ano, nós já vamos ver inúmeras farmácias sendo implantadas no setor de supermercados”, diz Galassi à EXAME.
Apesar da expectativa de início ainda neste ano, o presidente da entidade avalia que a mudança será progressiva.
“Essa não é uma corrida de 100 metros. É uma transformação estrutural do varejo, que vai acontecer ao longo do tempo”, afirma.
A lei sancionada permite que supermercados instalem farmácias dentro de suas lojas, desde que em espaços físicos separados e com cumprimento das regras sanitárias. Medicamentos não poderão ser vendidos em prateleiras comuns.
Hoje, cerca de 20% das farmácias já funcionam em galerias anexas a supermercados, mas como operações independentes.
“Você tem dois estabelecimentos. Com a nova lei, será uma operação integrada dentro do supermercado”, diz.Na prática, o consumidor poderá acessar a farmácia durante a compra no mercado e pagar todos os produtos adquiridos de uma vez só. Segundo Galassi, haverá flexibilidade no pagamento.
“Você pode pagar na farmácia ou levar o produto lacrado e pagar no caixa do supermercado. Isso facilita muito o dia a dia do consumidor, porque ele resolve tudo em um único local”, diz.
Além da operação física, o modelo também deve avançar no comércio eletrônico.
“O consumidor poderá entrar no e-commerce do supermercado e comprar também medicamentos no mesmo ambiente”, afirma.
A implementação deve variar entre as empresas. Parte das redes já atua com farmácias e deve adaptar suas operações. Outras devem buscar parcerias.
“Nem todos os supermercados vão operar farmácias diretamente. Muitos devem fazer parcerias com redes ou farmácias independentes”, diz.
O presidente da Abras também não descarta movimentos de aquisições no setor como forma de acelerar a entrada dos supermercados no mercado farmacêutico.
“Empresas que não operam farmácias podem buscar esse conhecimento por meio de aquisições ou parcerias”, afirma.
Segundo ele, a compra de pequenas redes ou farmácias independentes pode ser uma forma de incorporar expertise operacional e conhecimento técnico, especialmente em um segmento altamente regulado.
“Muitas farmácias de bairro são tocadas por profissionais com forte vínculo local e grande conhecimento do negócio. Esse ativo tem valor”, diz.
Segundo o presidente da Abras, a medida tende a aumentar a concorrência no setor, mas ele não garante que terá impacto no preços.
“Quando você amplia o mercado, todos precisam competir mais. Isso é positivo para o consumidor”, afirma.
Ele também avalia que o novo modelo abre espaço para pequenos negócios.
“É uma oportunidade tanto para supermercados menores quanto para farmácias de bairro, que podem firmar parcerias”, diz.