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Defesa do legado, religião e ataques ao PT: os três pilares da campanha de Bolsonaro

Em busca da reeleição, o presidente deve dar ênfase a medidas como o Auxílio Brasil e lembrar escândalos de corrupção envolvendo Lula

 (Andre Borges/Getty Images)

(Andre Borges/Getty Images)

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Alessandra Azevedo

22 de agosto de 2022, 17h04

A estratégia do presidente Jair Bolsonaro (PL) para deslanchar nas pesquisas e garantir um lugar no segundo turno das eleições de 2022 envolve três principais pilares: defender as conquistas dos últimos anos, lembrar a corrupção associada ao principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e não abandonar a bandeira religiosa. 

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Pelo menos nas primeiras semanas de campanha, Bolsonaro não deixará de explorar esses três pontos, considerados primordiais para alavancar a popularidade do presidente. Nos próximos dias, ele deve dar ênfase ao legado dos quase quatro anos de governo, com foco em medidas que melhoraram a situação econômica dos eleitores. 

O aumento de R$ 400 para R$ 600 do Auxílio Brasil continuará sendo apontado como uma política de sucesso de Bolsonaro. Ao explorar o tema, a campanha busca não só conquistar o voto dos beneficiários do programa e das camadas mais vulneráveis da população, mas passar a mensagem de que todo o Brasil sai ganhando com a medida.

Nesse sentido, Bolsonaro também deve dar destaque ao auxílio emergencial pago aos mais vulneráveis durante o início da pandemia de covid-19. Ele deve argumentar que a medida foi um sucesso, superior até a políticas implementadas em outros lugares do mundo, e uma das provas de que o governo atuou de forma correta na pandemia. 

Outro assunto que será explorado pela campanha de Bolsonaro, ainda parte desse primeiro pilar, é a renegociação de dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa que ajuda a manter estudantes de graduação em faculdades privadas.

Em dezembro do ano passado, o governo enviou uma medida provisória para renegociar as dívidas de 1 milhão de alunos inadimplentes. O texto foi aprovado em maio pelo Congresso e sancionado por Bolsonaro em junho deste ano.

O presidente também vai citar dados relativos à redução do desemprego nos últimos meses. Nesse ponto, ele pretende defender o avanço na empregabilidade de jovens e mulheres, que ainda são os públicos que mais sofrem com o problema, e na agenda de empreendedorismo e microcrédito para os mais vulneráveis.

O segundo pilar da campanha é atacar o PT e lembrar os escândalos de corrupção envolvendo Lula. Bolsonaro e aliados vão aproveitar o espaço na televisão, no rádio e nas redes sociais para falar de Mensalão e Lava-Jato, tentando recuperar uma agenda “antipetista” e “anticorrupção” que o ajudou a ser eleito em 2018. A equipe bolsonarista não deixará que os eleitores se esqueçam do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá. 

Outra pauta que não será deixada de lado é a religiosa. A campanha já começou com acenos aos evangélicos, na semana passada, e deve continuar com esse foco. Falas de Lula ou de pessoas próximas ao ex-presidente sobre questões religiosas serão monitoradas de perto. Bolsonaro não vai deixar passar qualquer deslize ou discurso que possa ser considerado “anticristão”.

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