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Decreto de Witzel libera comércio com drive thru e entrega domiciliar

Governador também decidiu flexibilizar as medidas de isolamento social em cidades onde não há incidência de Covid-19

Coronavírus: setores essenciais podem manter o atendimento presencial (Buda Mendes/Getty Images)

Coronavírus: setores essenciais podem manter o atendimento presencial (Buda Mendes/Getty Images)

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Reuters

Publicado em 7 de abril de 2020 às 12h19.

Última atualização em 7 de abril de 2020 às 14h29.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), confirmou nesta terça-feira que vai renovar o decreto da quarentena no Estado até o fim do mês devido ao avanço do coronavírus, mas decidiu flexibilizar as medidas de isolamento social em cidades onde não há incidência de Covid-19.

Os municípios liberados das medidas restritivas estão localizados em diferentes regiões do Estado, a maioria no norte e noroeste. As cidades terão, no entanto, que criar barreiras de isolamento para impedir a entrada de pessoas de outras cidades, de forma a evitar a proliferação da doença.

“As pessoas não vão poder circular de uma cidade para a outra, e se surgir um caso vamos retomar as medidas de restrição”, disse Witzel em entrevista coletiva no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense.

“Nós estamos preocupados com as pessoas e com a economia, mas preservar vidas em primeiro lugar. Naquelas cidades onde prefeitos se sentem confortáveis, o decreto permite que as cidades tenham uma circulação interna”, acrescentou Witzel, destacando que as escolas vão permanecer fechadas nesses municípios, e que aglomerações em bares, restaurantes e praças seguem proibidas.

A decisão foi tomada um dia após o Ministério da Saúde informar, em boletim epidemiológico, que localidades onde o número de casos confirmados de coronavírus não tenha impactado mais da metade da capacidade de atendimento poderão fazer transição para um modelo de isolamento que inclui apenas pessoas do grupo de risco, na próxima semana.

O ministério, no entanto, ressaltou que uma eventual transição direta seria temerária.

Ao mesmo tempo que o governo do RJ se sente confortável para afrouxar as regras em determinadas cidades, Witzel destacou que há uma preocupação com o número de casos na capital, Região Metropolitana, Baixada Fluminense e na cidade de Volta Redonda, no sul do Estado.

Por esse motivo, o governador antecipou que vai renovar o decreto de calamidade pública fluminense até 30 de abril.

Segundo ele, embora a curva de crescimento da doença no Estado esteja dentro das expectativas mais otimistas e semelhante com o padrão da Coreia do Sul, o coronavírus tem se espalhado por áreas e comunidades carentes.

O secretário de Saúde, Edmar Santos, alertou que houve um aumento no número de internações de casos de Covid-19 nos últimos dias na rede pública de saúde do Estado.

Além disso, há uma preocupação com o aumento no número de pessoas circulando no Grande Rio no últimos dias.

"No fim de semana houve um pressão na rede pública. Começa a chegar aos mais pobres e comunidades carentes, ou seja, não é momento para flexibilizar. Caminhar no calçadão não é um ato de saúde, é um ato de expor a todos. Saúde hoje é ficar em casa”, disse Santos.

Incomodado com o maior fluxo de pessoas nas ruas, Witzel disse que já entrou em contato com a Assembleia Legislativa para propor um projeto de lei que estabeleça uma multa para quem insistir em circular nas vias públicas sem necessidade.

O Rio de Janeiro é o segundo Estado com mais casos no país, com 1.461, e 71 mortes, atrás apenas de São Paulo, de acordo com dados do Ministério da Saúde atualizado até segunda-feira.

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