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De pixuleco a faz-me rir: os apelidos para propina no Brasil

Nova fase da Lava Jato foi batizada de pixuleco, termo usado por ex-tesoureiro do PT como sinônimo de propina. Veja outros apelidos curiosos

São Paulo - Não adianta procurar "pixuleco" nos dicionários. A definição do nome que batiza a 17° fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira (03), não aparece em nenhum deles.

Na literatura, um termo parecido foi usado pelo escritor paulista João Antônio (1937-1996), no conto “Paulinho perna torta”. Na história do engraxate que vira assaltante, “pixulé” é sinônimo do “dinheiro miúdo” que seu personagem recebe durante o trabalho:

“O tipo se levantava da cadeira, se arrumava todo; se empinava, me escorregava uma nota. Humilde, meio encolhido, eu recolhia a groja magra. Tudo pixulé, só caraminguás, uma nota de dois os cinco cruzeiros. Mas eu levantava os olhos e agradecia”.

Nos processos da Lava Jato, "pixuleco" está longe de designar pouco dinheiro. Segundo o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, a gíria era usada pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para se referir à propina que recolhia das empresas a cada novo contrato com a Petrobras

No caso do ex-ministro José Dirceu, preso na manhã de hoje, a Polícia Federal (PF) suspeita que o "pixuleco" cobrado também não fosse pequeno.

Segundo a PF, a propina chegava ao ex-ministro em diversos formatos: pagamentos de serviços da sua empresa de consultoria, alguns favores, como a reforma de um apartamento, e uma mesada paga pelas construtoras mesmo após a condenação de Dirceu no mensalão.

Outros nomes para a mesma prática

Essa não é a primeira vez em que o pagamento de propina ganha apelidos. No mensalão era “pegar uma encomenda”. Para Carlinhos Cachoeira, uma “assistência social”.

No cinema, um dos sinônimos mais conhecidos é o “faz-me rir”, que aparece em “Tropa de Elite”. O escritor Machado de Assis (1839 - 1908) usou outros dois: “molhadura” e “gorjeta”.

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