Flávio Bolsonaro: "Eu não recebi dinheiro nenhum. Foi um patrocínio para quem fez o filme" (Saulo Cruz/Agência Senado/Flickr)
Repórter
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 21h39.
Última atualização em 28 de agosto de 2026 às 23h37.
Candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro defendeu, durante sabatina na TV Globo nesta sexta-feira, 28, o financiamento do filme Dark Horse, que narra a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, não há irregularidades na operação.
“Não tem nada de errado em um filho buscar financiamento para um filme do próprio pai”, afirmou.
O senador afirmou ainda que os recursos obtidos para a produção não foram destinados diretamente a ele, mas ao projeto cinematográfico. “Esse foi um patrocínio que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro, sim para um filme”, disse. "E todo o patrocínio foi usado no filme".
Questionado sobre a mensagem em que afirmou que estaria “sempre” com Vorcaro, Flávio disse que se referia ao projeto cinematográfico. “A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme e mais nada”, afirmou.
O candidato disse querer garantir a continuidade da produção e que, por isso, buscou investidores. Segundo ele, o filme contaria a trajetória de Jair Bolsonaro e seria uma forma de preservar a história do ex-presidente.
Flávio também foi questionado sobre a falta de divulgação do contrato, de uma planilha detalhada com os gastos da produção e da identidade dos investidores, além da destinação dos recursos de um fundo criado no exterior. Ele respondeu que determinou à produtora a realização de uma prestação de contas depois que surgiram questionamentos sobre o financiamento.
“Eu não recebi dinheiro nenhum. Foi um patrocínio para quem fez o filme, uma produtora que fez o filme”, afirmou.
Questionado sobre o contrato com Vorcaro, Flávio disse que não assinou um contrato financeiro com o banqueiro. Segundo ele, sua participação no projeto foi autorizar o uso de sua imagem e captar investidores. Por isso, afirmou que não caberia a ele apresentar o detalhamento financeiro da produção.
O candidato também afirmou que havia apoiado a criação de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master e que gostaria de ouvir Vorcaro e outros envolvidos sobre sua relação com o banqueiro.
Dark Horse, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro e com previsão de estreia após as eleições, passou a ser alvo da Justiça após mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil mostrarem negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso na Operação Compliance Zero, para financiar a produção.
Segundo a reportagem, o valor discutido entre os dois chegou a R$ 134 milhões, dos quais pelo menos R$ 61 milhões teriam sido repassados por Vorcaro para custear o filme sobre a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018.
Em maio, Flávio prometeu apresentar, em até 30 dias, uma prestação de contas detalhada sobre os recursos, mas não cumpriu o prazo. Em agosto, afirmou que o assunto era uma “página virada” e disse que as contas já haviam sido apresentadas, sem detalhar os valores ou o destino do dinheiro.
O financiamento do filme é investigado em duas frentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro.
A outra, conduzida pelo ministro Flávio Dino, envolve materiais apreendidos na Operação Wi-Fi, que investiga um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para o programa WiFi Livre SP.
A apuração busca esclarecer se recursos públicos, inclusive de emendas parlamentares, foram usados para financiar a produção.