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Damares e Tereza Cristina faltam a encontro de mulheres com Flávio em meio a crise

Ausências seriam recado após críticas de aliados de Flávio ao voto feminino

As senadoras Tereza Cristina (PP-MS) e Damares Alves (Republicanos-DF) (Carlos Moura/Agência Senado)

As senadoras Tereza Cristina (PP-MS) e Damares Alves (Republicanos-DF) (Carlos Moura/Agência Senado)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 1 de julho de 2026 às 12h35.

Última atualização em 1 de julho de 2026 às 12h40.

O encontro de lideranças femininas com o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira, 1, teve a ausência de duas expoentes do bolsonarismo: as senadoras e ex-ministras bolsonaristas Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS).

Nos bastidores, pessoas familiarizadas com o tema afirmam que a ausência das duas é um recado de insatisfação com críticas recentes de aliados de Flávio, como o blogueiro Paulo Figueiredo, ao voto feminino.

Damares é uma das lideranças bolsonaristas mais próximas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e se reuniu com ela na véspera, quando Michelle renunciou à presidência do PL Mulher em meio à crise na relação com Flávio Bolsonaro. O presidenciável, inclusive, havia dito publicamente que havia solicitado a Damares que organizasse a reunião com lideranças femininas e que a ex-primeira-dama fosse convidada, mas não respondeu.

Já Tereza Cristina é uma das cotadas para a vaga de vice-presidente na chapa de Flávio. Nos bastidores, aliados da líder do PP no Senado afirmam que ela não tem a intenção de integrar a chapa, pelo menos até o momento.

Críticas ao voto feminino

As ausências ocorrem após comentários do blogueiro Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos, de que "mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente as mulheres solteiras", em referência a uma suposta preferência, por parte do eleitorado feminino, por candidatos de esquerda. Figueiredo, amigo de Flávio e Eduardo Bolsonaro, é considerado o principal articulador de agendas dos irmãos Bolsonaro junto a autoridades do governo de Donald Trump.

Somadas à ausência da própria Michelle Bolsonaro, as faltas de Damares e Tereza Cristina aprofundam a crise da pré-campanha de Flávio, que acumula dificuldades desde que se tornou pública a amizade do pré-candidato com o banqueiro Daniel Vorcaro, bem como o aporte de R$ 61 milhões do controlador do Master para a realização do filme Dark Horse, produção sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Na última quarta-feira, 24, Michelle expôs a má relação com Flávio e Eduardo ao publicar dois vídeos em suas redes sociais em que conta a sua versão de uma discussão com o enteado presidenciável à raiz das críticas públicas da ex-primeira-dama à aliança entre o PL e Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Em um dos vídeos, ela dizia ter sido "humilhada, desrespeitada e maltratada" por Flávio durante uma ligação telefônica em novembro de 2025. Na ligação, Flávio teria dito que ela "chegou ontem"na política.

Na terça-feira, 30, Michelle anunciou sua renúncia à presidência do PL Mulher, acertada após uma reunião de duas horas com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Na mesma data, ela se encontrou com a senadora Damares e com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Na reunião, discutiu-se o futuro político da esposa de Jair Bolsonaro, mas não houve definição. Ela é cotada para disputar uma das vagas para o Senado pelo Distrito Federal.

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