Como moradores de cinco capitais se deslocam até o trabalho

Análise elaborada pelo DataZAP analisou a mobilidade nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre

Na pandemia, pelo menos quatro em cada dez brasileiros vão trabalhar a pé. Essa é a conclusão do estudo DataZAP, um estudo elaborado pelo DataZAP, braço de inteligência imobiliária do ZAP+ e que analisou hábitos e mobilidade em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. O material foi obtido com exclusividade pela EXAME.

De acordo com os dados, o maior percentual de pessoas que se desloca a pé está em Curitiba (50%), seguido por São Paulo (48%), Rio de Janeiro (48%), Porto Alegre (46%) e Belo Horizonte (42%). A pesquisa foi feita com 1.425 usuários dos portais ZAP Imóveis e Viva Real ou impactados pela comunicação do ZAP+.

O comportamento pode ser, ao menos parcialmente, corroborado por um estudo divulgado no dia 21 de abril pelo Google com o objetivo de identificar tendências e mudanças na mobilidade dos brasileiros. Nele, a mobilidade em locais de trabalho aumentou 2% em relação a algumas semanas anteriores à data. Ao mesmo tempo, estações de transporte público tiveram queda de 20%.

Mas, nem só a pé os brasileiros dessas regiões se locomovem. Com foco em entender os hábitos de forma completa, o estudo também analisou fatores como a acessibilidade e infraestrutura para pedestres, uso de transporte individual e por aplicativo, além dos meios de transporte públicos.

O desempenho por cidades varia significativamente -- Rio de Janeiro tem percepções negativas para pelo menos três dos índices analisados, enquanto Curitiba é a campeã nos mesmos, que são fluidez no trânsito, segurança no trajeto e acessibilidade para pedestres. 

Por outro lado, ambas as cidades da região Sul têm baixa performance quando o assunto é a oferta de transportes nos bairros. “Por possuírem a maior malha metroviária do país, São Paulo e Rio de Janeiro se destacaram na oferta de linhas de metrô e trem, alcançando as maiores médias neste quesito. Em contrapartida, as cidades do sul, por não contarem com esse modal, registraram os piores índices: 1 e 1,8, respectivamente”, aponta Danilo Igliori, economista do DataZAP.

Veja abaixo o desempenho por cidade:

Rio de Janeiro: pior desempenho em três índices

Em relação à segurança das vias, pelo menos cinco em cada dez cariocas deram notas de 0 a 3. No quesito segurança, a nota média da cidade foi de 5,3, ante 6,4 de Curitiba, a campeã. Por fim, em acessibilidade para pedestres, 45% dos cariocas novamente deram notas de zero a três.

Mas, nem tudo está perdido. A Cidade Maravilhosa obteve classificações positivas nos critérios de oferta de transporte nos bairros (57% dos participantes atribuíram notas de 7 a 10) e de oferta de meios de transporte individuais, como bicicletas e patinetes, com 7,9 e 5,1, respectivamente.

São Paulo: uso massivo de meios de transporte individual e coletivo 

Na capital paulista, moradores que equilibram o uso de transporte individual e coletivo são maioria (63%) e a oferta de ciclofaixas e ciclovias é considerada boa (nota de 5,1). A cidade também tem a melhor avaliação a oferta de transporte nos bairros, com 59% dos entrevistados atribuindo notas de 7 a 10. 

Moradores da capital paulista são os campeões em uso de transporte -- tanto individual quanto coletivo -- para ir ao trabalho, com índice de 63%. 

Ao lado do Rio de Janeiro, a cidade também tem a melhor avaliação na oferta de transporte nos bairros, com 59% dos entrevistados atribuindo notas de 7 a 10. Em relação à oferta de ônibus, só perde para Curitiba, com a nota 7,4 sendo atribuída à capital paulista.

Curitiba: campeã em pelo menos três quesitos

Os curitibanos estão entre os que menos usam aplicativos de transporte. Apenas 44% declararam usar esse meio para ir trabalhar -- percentual relativamente distante dos campeões Belo Horizonte e Porto Alegre, com 58% cada. Na comparação entre transporte individual e coletivo, a clara preferência é pelo uso do próprio: 46% declararam usar esse meio de transporte, ante 4% que utilizam o coletivo, a maior disparidade da pesquisa.

Com essa clara preferência, um quesito analisado foi a avaliação dos curitibanos em relação à fluidez do trânsito. De forma geral, é bastante positiva: 47% e 58% dos entrevistados atribuíram notas de 7 a 10. Mais da metade (60%) dos entrevistados leva cerca de meia hora do trajeto de casa ao trabalho.

Além disso, a cidade foi campeã nos quesitos segurança no trânsito (com 6,4 de média), oferta de ônibus (média de 7,8), infraestrutura para pedestres (58% dos entrevistados deram notas de 7 a 10) e acessibilidade (48%). Só fica para trás na oferta de transporte nos bairros, com notas pouco acima de 1.

Porto Alegre: alta nos aplicativos de transporte

A cidade está entre as que mais usa aplicativos de transporte, com 58% dos entrevistados declarando usar esse recurso -- percentual idêntico ao de Belo Horizonte. A cidade também tem alto índice de usuários de transporte individual, alternativa apontada por 52% dos entrevistados. 

O comportamento pode ser consequência da avaliação negativa em relação aos transportes coletivos. Sem malha metroviária, a cidade também tem o menor índice de avaliação em oferta de ônibus e lotação (6,8) junto ao Rio de Janeiro.

Belo Horizonte: faltam ciclovias e ciclofaixas

Os mineiros são "heavy-users" de aplicativos de mobilidade, com 58% do total de entrevistados. Nesta e nas demais capitais, a qualidade dos serviços dos motoristas foi vista de forma positiva, com notas acima de 8.

Em Belo Horizonte, 62% dos entrevistados declararam usar tanto o transporte individual quanto o coletivo para trabalhar. Na análise do uso de transporte individual, 51% dos mineiros declararam usar carro particular para trabalhar, deixando a cidade em 3º lugar na comparação geral -- Curitiba é a campeã, com 56% e Porto Alegre fica em segundo lugar, com 52%.

A demanda por ciclovias e ciclofaixas na cidade é alta em relação à oferta e a cidade teve a pior nota entre todas as analisadas nesse quesito: 3,2.

Por fim, a oferta de ônibus e lotação está na média. a cidade fica em terceiro lugar, com média 7.

 

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