MP da Taxa das Blusinhas caduca no dia 8 de setembro (Emilija Manevska/Getty Images)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 12h23.
Última atualização em 13 de agosto de 2026 às 12h27.
O Congresso adiou para 1º de setembro a sessão prevista para esta quinta-feira, 13, que elegeria presidente e relator da comissão mista que vai apreciar a medida provisória que põe fim à chamada Taxa das Blusinhas (MP 1.357/2026).
A MP é a principal prioridade legislativa de curto prazo do governo porque o texto, enviado pelo governo em maio ao Congresso, caduca no dia 8 de setembro e, se não for aprovada, restabeleceria a alíquota de 20% de imposto de importação sobre compras importadas acima de US$ 50.
A comissão deveria ter realizado a sua primeira reunião, de instalação e com a eleição de presidente e relator na quarta-feira, 12, mas a reunião só escolheu os membros da comissão (13 senadores e 13 deputados) e adiou a indicação de presidente e de relator da medida provisória para esta quinta-feira. Nesta quinta, porém, a reunião voltou a ser adiada para o dia 1º.
O governo tinha predileção pelo nome do senador Eduardo Braga (MDB-AM) para relatoria, mas o parlamentar manifestou não ter interesse. Entre os cotados para presidente da comissão, está o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Como a EXAME noticiou, o varejo nacional tem se mobilizado para pressionar parlamentares para que a MP caduque. A volta do imposto, no entanto, é considerada uma medida impopular tomada pelo Congresso em período eleitoral, algo considerado pouco factível pelos parlamentares ouvidos pela reportagem.
Se o presidente e o relator forem escolhidos em 1º de setembro, a comissão terá oito dias para aprovar a medida provisória, que ainda precisaria passar pelos plenários da Câmara e do Senado.
Criada em agosto de 2024 pelo governo federal para atender a um pedido do varejo nacional, que demandava proteção ao que argumentava ser uma competição desleal com produtos importados, a alíquota de 20% foi revogada em 12 de maio pelo governo federal por causa da impopularidade da medida no ano eleitoral.
A tramitação da MP estava empacada até o início desta semana porque o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), até então em crise com o governo, não instalou a comissão mista que precisa apreciar a medida antes de ela ser submetida à Câmara e ao Senado. Alcolumbre e Lula voltaram a se falar após três meses na semana passada e, nesta terça-feira, acertaram o andamento da pauta legislativa.
Os dois chefes de poderes estavam sem se comunicar desde que Alcolumbre atuou pela rejeição do nome de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria antecipada do ex-ministro Luís Roberto Barroso. O presidente do Senado, que havia manifestado preferência de que o indicado fosse Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ficou contrariado com a indicação de Messias e ligou pessoalmente a senadores pedindo para que o indicado fosse barrado no plenário do Senado, o que de fato ocorreu em maio.
A comissão mista da MP das Blusinhas tem 26 membros, metade formada por senadores e a outra metade por deputados. São eles:
Senadores
Deputados: