Ciro chama aliança entre PT e PSB de "ato desleal e traiçoeiro"

Pedetista chegou a dizer, após a decisão do PSB, que a neutralidade não era uma surpresa, e que sabia que estava "marcado para morrer" por PT, PSDB e MDB

Rio de Janeiro - O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, classificou nesta sexta-feira a aliança do PSB com o PT que deixou os socialistas em posição de neutralidade nas eleições presidenciais como um ato desleal e traiçoeiro, mas disse que é preciso manter a cabeça fria para dar continuidade a seu projeto eleitoral.

O pedetista afirmou que enxerga a aproximação do PT ao PSB como uma tentativa de enfraquecer sua candidatura, e anunciou que vai publicar ainda nesta sexta-feira nas redes sociais uma carta ao povo pedindo por tranquilidade em um momento de aparente turbulência.

"É preciso muito calma nessa hora... Evidente que nossa gente e nossa militância ficaram muito frustradas e irritadas com a forma desleal e traiçoeira com a qual aparentemente fomos tratados", disse Ciro a jornalistas após participar da convenção estadual do PDT no Rio de Janeiro, no centro da cidade.

"Mas eu que tenho a cabeça fora da linha d'água, estou ponderando e pedindo muita calma nessa hora", acrescentou.

A escolha do PSB pela neutralidade na eleição presidencial em acordo firmado com o PT deixou o pedetista isolado e sem um partido importante que poderia ser um forte aliado na corrida presidencial de outubro.

Ciro chegou a dizer logo após a decisão do PSB que a neutralidade não era uma surpresa, e que sabia que estava "marcado para morrer" por PT, PSDB e MDB.

O pedetista disse entender a aproximação entre PT e PSB como uma manobra dos petistas contra a sua candidatura. Com a inviabilidade da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde abril, o PT ficou enfraquecido na disputa e decidiu minar a sua candidatura, segundo Ciro.

"Todos sabem que não deixarão o Lula ser candidato, as estruturas não permitirão, e o que está em jogo na burocracia do PT é uma grande enganação", disse.

"Querem criar uma comoção nacional para que o dia que ele for declarado inelegível para escolher outro poste. A questão é: o Brasil aguenta outro poste?", disse ele, ao se referir implicitamente à ex-presidente Dilma Rousseff. "A única coisa que justifica esse gesto é eles acharem que eu sou uma grande ameaça de afirmar uma alternativa de renovação do campo progressista brasileiro", acrescentou.

Apesar da decisão do PSB, Ciro afirmou que pretende manter o apoio ao candidato socialista Márcio França, que é candidato à reeleição ao governo de São Paulo.

"Se depender de mim manteremos (o apoio), porque considero Márcio França o melhor para São Paulo", afirmou.

Durante seu discurso na sede do PDT do Rio de Janeiro, Ciro atacou ainda o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas de opinião de voto nos cenários sem a presença de Lula.

"O problema do Bolsonaro, com todo carinho, é que ele é um boçal e inexperiente", disse.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.