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Chuvas no Rio Grande do Sul: Rio Guaíba deve atingir nível recorde em 83 anos

A orientação da Defesa Civil do Rio Grande do Sul é que os moradores que vivem próximo ao rio, em áreas de risco, deixem suas casas

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 3 de maio de 2024 às 10h36.

Última atualização em 3 de maio de 2024 às 17h45.

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As chuvas no Rio Grande do Sul que mataram ao menos 39 pessoas, segundo balanço divulgado nesta tarde de sexta-feira, 3, devem aumentar o nível do Rio Guaíba, que banha a cidade de Porto Alegre, e provocar inundação na região.

Nesta sexta, o nível do rio chegou a 4,5 metros no Cais Mauá, superando a cota de inundação, de 3 metros. É o maior nível do Guaíba desde 1941. A expectativa é de que a água atinja os 5 metros ainda hoje.

Em nota, a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) informou que a estação hidrometeorológica instalada no Cais Mauá, em Porto Alegre, apresentou problemas na leitura. Os técnicos do Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento estão, junto com a Defesa Civil, averiguando o nível “in loco”.

Imagens da RBS TV, afilada da Globo no Rio Grande do Sul, mostram que a estação rodoviária de Porto Alegre foi tomada pela água. Cerca de 95% das viagens foram suspensas.

Trechos da orla, na zona sul da cidade, e as avenidas Mauá e Conceição, no acesso à capital, estão alagadas. A orientação da prefeitura é que as pessoas evitem se deslocar em Porto Alegre.

Em coletiva de imprensa na noite de quinta-feira, o governador do estado, Eduardo Leite (PSDB), afirmou que a expectativa do governo é de que o nível de elevação do rio chegue a um recorde.

"O Guaíba já está em 3,36 metros e subindo 8 centímetros por hora. Nessa madrugada ele já vai chegar a quatro metros, um patamar que nunca vimos. Nossa equipe já fala em cinco metros. Seria maior que a enchente de 1941", disse Leite, referindo-se à maior cheia que já atingiu Porto Alegre em sua história.

A orientação da Defesa Civil do Rio Grande do Sul é que os moradores que vivem próximoa ao rio, em áreas de risco, deixem suas casas. 

“As pessoas que não tiverem locais alternativos devem buscar informações junto à Defesa Civil da sua cidade sobre os abrigos públicos disponibilizados pelas prefeituras, rotas de fuga e pontos de segurança”, informou o órgão, em comunicado.

Segundo balanço divulgado nesta tarde, além das 39 mortes, 68 pessoas estão desparecidas e 74 estão feridas. Mais de 24 mil pessoas estão fora de casa, sendo 7.949 pessoas em abrigos e 17.087 desalojados (na casa de familiares ou amigos).

Cerca de 235 dos 496 municípios do estado registraram algum tipo de problema por conta da forte chuva na região, afetando 351,6 mil pessoas.

Em resposta à situação emergencial, o governo estadual decretou estado de calamidade pública na quarta-feira, com duração de 180 dias. Este decreto estipula que os órgãos e entidades da administração pública estadual devem oferecer assistência imediata às áreas afetadas, em estreita colaboração com a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil.

Rompimento da barragem 14 de julho

Leite informou na quinta que a área mais crítica é a região do Vale do Taquari, onde mais de 160 pontos na área em que grupos de pessoas pediram ajuda e aguardavam na quinta por resgate. Em setembro, a passagem de forte temporal matou 54 pessoas no mesmo vale.

O Rio Taquari atingiu o maior nível desde 1941 ao ultrapassar a marca de 31 metros na madrugada de quinta-feira. No início da tarde, a chuva acumulada provocou o rompimento da Barragem da Hidrelétrica 14 de Julho, entre os municípios de Cotiporã e Bento Gonçalves, levando à retirada de moradores pela Defesa Civil.

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