José Guimarães, ministro-chefe da Secretaria das Relações Institucionais (Lula Marques/Agência Brasil)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 14h05.
Última atualização em 11 de agosto de 2026 às 14h08.
O ministro José Guimarães, da Secretaria das Relações Institucionais, se encontrou nesta tarde com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para negociar temas prioritários nas semanas de esforço concentrado do Congresso.
Como a EXAME mostrou, o governo quer aprovar até o início de setembro 5 das 33 medidas provisórias (MPs) que se encontram no Congresso atualmente. O texto, que zerou a alíquota do imposto de importação a remessas internacionais de até US$ 50, chamado popularmente de Taxa das Blusinhas, é a prioridade absoluta do governo.
A MP caduca em 8 de setembro e ainda não tem comissão mista instalada, o que depende da vontade política de Alcolumbre para acontecer. Depois de discutida e aprovada na comissão, a medida provisória ainda precisaria passar pelos plenários da Câmara e do Senado.
De Alcolumbre, o governo espera conseguir, de imediato, a instalação das comissões da MP das Blusinhas e de outras quatro: a MP 1.360, que muda a regulamentação da atividade de motofrete; a MP 1.370, que torna o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) obrigatório; a MP 1.375, que amplia a quantidade de servidores que recebe indenização por trabalhar em zonas de fronteiras; e a MP 1.369, que reduz de 45 para 30 dias o tempo de espera de processos previdenciários e assistenciais do INSS para entrarem em monitoramento.
"Não há nenhuma dúvida em relação à Medida Provisória que trata do fim da taxa das blusinhas. É nossa prioridade a instalação da comissão mista e trabalhar pela sua rápida aprovação, fazendo valer a Medida Provisória assinada pelo presidente @LulaOficial. Vamos solicitar ainda hoje ao presidente Davi Alcolumbre a instalação das comissões das Medidas Provisórias, entre elas a que trata desse tema", disse o ministro José Guimarães em postagem nas redes sociais.
A reunião que tivemos hoje na SRI foi um importante momento de retomada do esforço concentrado que a Câmara e o Senado farão nos próximos dias. Participaram conosco os líderes da Maioria e do PT na Câmara e no Senado, além dos ministros da Fazenda, do Planejamento e da Educação.…
— José Guimarães (@joseguimaraesce) August 11, 2026
Além disso, o governo segue fazendo pressão para que Alcolumbre destrave a tramitação das Propostas de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 e da Segurança Pública. Reservadamente, porém, integrantes do governo consideram improvável que os textos sejam aprovados antes da eleição ou mesmo neste ano.
O projeto de lei que estabelece um marco regulatório para a exploração, o beneficiamento e os estímulos fiscais ao setor de minerais críticos também está parado no Senado e é uma das prioridades do governo, embora a própria equipe de articulação política considere difícil o avanço da pauta no período eleitoral.
Na Câmara, o governo também quer negociar com Motta a votação do PL da Misoginia nesta semana e negociar mudanças no projeto de lei complementar PLP 114, que permite ao governo usar receitas extraordinárias para subsidiar combustíveis. Para o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), o parecer apresentado pela relatora do texto, Marussa Boldrin (Republicanos-GO) contém uma série de "jabutis", dispositivos que não estão relacionados com o espírito da norma.
"Em relação às demais matérias, como o PLP 114/26, que trata dos combustíveis, estamos dialogando com o presidente Hugo Motta. No Senado, seguiremos em permanente diálogo com o presidente Davi Alcolumbre sobre a pauta, buscando construir os entendimentos necessários para que as votações preservem o equilíbrio fiscal, que sempre foi um compromisso do governo", disse Guimarães na postagem.
Motta oficializou seu apoio formal à reeleição de Lula na última segunda-feira, 10, durante um evento em João Pessoa. O presidente da Câmara, cuja relação com o governo já teve altos e baixos, trabalhou para que o Republicanos, seu partido, declarasse neutralidade na disputa presidencial e liberasse os diretórios estaduais para respaldar candidatos. O deputado disputa a reeleição e seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), é candidato ao Senado e pleiteia receber o apoio de Lula.
Nabor esteve na convenção estadual do PT da Paraíba, apesar do partido apoiar formalmente os candidatos ao Senado João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) para o Senado no estado.