André Mendonça: o ministro do STF autorizou investigação da PF sobre a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)
Publicado em 23 de julho de 2026 às 13h33.
Última atualização em 23 de julho de 2026 às 14h09.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, nesta quinta-feira, 23, que a Polícia Federal (PF) investigue os repasses milionários do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção de "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O processo tramita em sigilo e a informação foi confirmada .
A decisão atende a um pedido da própria Polícia Federal, que recebeu parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), há elementos suficientes para a abertura de uma investigação formal sobre a destinação dos recursos enviados ao exterior.
O caso veio à tona após a revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro, sócio do extinto Master, destinou ao menos R$ 61 milhões para a produção, o que desatou uma crise na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Há a suspeita de que os valores destinados oficialmente ao financiamento do longa-metragem sobre a vida de Jair Bolsonaro possam ter sido utilizados também para outros fins.
Havia outros dois pedidos de investigação sobre os mesmos fatos, um deles feito pelo vice-líder do PT na Câmara Lindbergh Farias (PT-RJ), mas ambos foram arquivados a pedido da PGR.
Entre as hipóteses apuradas pela Polícia Federal está a possibilidade de que parte dos recursos tenha sido usada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Os investigadores também querem verificar se o dinheiro financiou outras iniciativas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo do presidente americano Donald Trump.
De acordo com a linha de investigação, os valores teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro, para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
A PF pretende esclarecer se os recursos foram efetivamente empregados na produção cinematográfica ou se parte deles teve outra destinação. Eduardo Bolsonaro nega irregularidades e afirma que deixou o Brasil alegando perseguição do ministro Alexandre de Moraes.
Quando as informações sobre o financiamento vieram a público, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou que qualquer recurso tenha sido destinado ao irmão. Segundo ele, os aportes foram direcionados exclusivamente a um fundo criado para financiar o filme, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens nas quais Flávio Bolsonaro solicita recursos a Daniel Vorcaro para a produção de "Dark Horse". Documentos, planilhas e registros apreendidos apontam que ao menos R$ 61 milhões foram destinados ao projeto, por meio de empresas ligadas ao ex-banqueiro e de um fundo criado nos Estados Unidos para financiar a obra.
A investigação busca esclarecer se esses valores chegaram efetivamente à produção do filme ou se parte do dinheiro foi desviada para outras finalidades.
Além dessa frente de apuração, a Polícia Federal também investiga a suspeita de que recursos públicos provenientes de emendas parlamentares possam ter abastecido a produção por meio de contratos e repasses à produtora responsável pelo longa.
A investigação está sob relatoria de André Mendonça após decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que determinou a redistribuição do caso por prevenção.
No despacho publicado em junho, Fachin afirmou que os fatos apresentados possuem conexão com outros procedimentos já conduzidos por Mendonça, incluindo uma investigação sigilosa e duas petições relacionadas aos recursos destinados ao filme.
Na decisão, o presidente da Corte também destacou que a representação apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias cita reportagens segundo as quais Flávio Bolsonaro teria negociado aportes milionários para a cinebiografia do pai. O parlamentar argumentou que, diante das divergências entre os valores anunciados e as informações da produtora sobre o recebimento dos recursos, seria necessário investigar a origem e a destinação do dinheiro.
Segundo o despacho de Fachin, a possível relação entre o financiamento do filme, a atuação política da família Bolsonaro no exterior e outras investigações já em andamento justificou a reunião dos procedimentos sob a relatoria de André Mendonça.