Carne Fraca: Propina nem sempre era por falhas em frigoríficos

Dono do Madero afirma a VEJA que pagava propina aos fiscais do Ministério da Agricultura para evitar que eles forjassem problemas em sua linha de produção

São Paulo - O pagamento de propina para fiscais do Ministério da Agricultura, revelado pela Operação Carne Fraca, nem sempre era resultado de problemas reais nos frigoríficos. É o que afirma Junior Durski, fundador do grupo de restaurantes Madero, em entrevista para a revista VEJA desta semana.

O empresário afirma que pagava 4 mil reais por mês aos fiscais para evitar que eles criassem problemas em sua linha de produção.

“Os processos e procedimentos são cumpridos 100%. Aí vem um fiscal e diz que, se você não der o que ele quer, vai arranjar problemas e fechar sua fábrica. Você resiste, aí ele começa a procurar pelo em ovo”, diz à revista.

Segundo o empresário, “problemas irrelevantes”, como um azulejo trincado ou uma lâmpada queimada, já eram apontados pelos fiscais como motivo para colocar o frigorífico na lista de unidades que não seguem a regulação sanitária.

Por cerca de um ano, segundo ele, os pagamentos foram feitos em dinheiro e, pasmem, com picanhas.  O custo para o grupo ser autorizado a exportar seus produtos seria de 80 mil reais, segundo Durski.

Questionado sobre por que não denunciou o esquema antes, o empresário diz que temia represálias. “A impunidade é muito grande. O empresário pensa: ‘Se eu denunciar, não vai acontecer nada com o fiscal, e depois ele volta e me arrebenta’”.

Em uma série de entrevistas na última semana, o governo afirma que os problemas são pontuais e não representam a totalidade do trabalho do Ministério da Agricultura.

Afinal, o Brasil tem cerca de 4,8 mil frigoríficos e, por ora, apenas 21 estão sendo investigados enquanto três foram interditados. De qualquer forma, em sete dias, o Brasil perdeu 130 milhões de dólares com os vetos à importação de carne brasileira.

 

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