Rodovia Raposo Tavares conta com IA para fiscalizar infrações no trânsito
Colaboradora
Publicado em 14 de julho de 2026 às 12h02.
As câmeras equipadas com inteligência artificial (IA) começaram a mudar a forma como as infrações de trânsito são fiscalizadas nas rodovias paulistas.
Em apenas 72 horas de testes na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), os equipamentos registraram 976 indícios de infrações, principalmente relacionadas ao uso do celular ao volante e à falta do cinto de segurança.
Segundo a concessionária Ecovias Raposo Castello, responsável pelo trecho, os equipamentos utilizam algoritmos de visão computacional capazes de identificar comportamentos de risco mesmo com os veículos em movimento e durante a noite.
As imagens são encaminhadas para análise da Polícia Militar Rodoviária, que decide se haverá ou não a autuação do motorista. Do total de ocorrências registradas, a maioria é de:
A expectativa é ampliar o uso da tecnologia para outros trechos administrados pela concessionária nos próximos meses.
A inteligência artificial vem sendo incorporada à gestão do trânsito principalmente por meio da chamada visão computacional, tecnologia capaz de interpretar imagens em tempo real.
Na prática, as câmeras conseguem identificar padrões previamente treinados, como:
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a IA funciona como um sistema de apoio à fiscalização. Nos casos em que há possibilidade de autuação, as imagens costumam passar pela validação de um agente de trânsito ou policial antes da emissão da multa.
Esse modelo reduz erros humanos, aumenta a capacidade de monitoramento das rodovias e permite que os agentes concentrem esforços nas ocorrências mais graves.
Não. No caso da Raposo Tavares, a IA identifica possíveis infrações e gera registros em imagem. Em seguida, o material é enviado para análise da Polícia Militar Rodoviária.
Somente após essa validação humana é que uma infração poderá resultar em autuação, conforme determina a legislação brasileira.
Os dois tipos de infração registrados com maior frequência na Raposo Tavares, o uso do celular ao volante e a falta do cinto de segurança, estão entre os principais fatores associados a acidentes graves de trânsito.
Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o motorista que envia ou lê mensagens no celular enquanto dirige pode ter um risco até 23 vezes maior de se envolver em um acidente. A entidade alerta que tirar os olhos da via por apenas alguns segundos já compromete o tempo de reação e aumenta significativamente a probabilidade de colisões.
Já o uso do cinto de segurança é apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das medidas mais eficazes para reduzir mortes no trânsito. De acordo com a entidade, o equipamento reduz entre 45% e 50% o risco de morte de motoristas e passageiros do banco dianteiro e também diminui significativamente o risco de lesões graves e fatais entre ocupantes do banco traseiro.
Especialistas apontam que o uso da inteligência artificial tende a crescer nas rodovias brasileiras por aumentar a capacidade de fiscalização sem exigir a presença constante de equipes em campo.
Além de identificar infrações, esses sistemas também podem contribuir para:
O Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), coordenado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), prevê o incentivo ao uso de novas tecnologias para aumentar a segurança viária.