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Brasil sai do Mapa da Fome após queda de população em insegurança alimentar grave

O país tem agora menos de 2,5% da população em risco de subnutrição ou falta de acesso à alimentação suficiente

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 28 de julho de 2025 às 13h11.

Última atualização em 28 de julho de 2025 às 15h02.

O Brasil deixou de figurar no Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 28, em Adis Abeba, na Etiópia.

Segundo os dados do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025 (SOFI 2025), lançado pela FAO durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (UNFSS+4), o país tem agora menos de 2,5% da população em risco de subnutrição ou falta de acesso à alimentação suficiente.

O resultado positivo foi alcançado no triênio 2022/2023/2024, após o Brasil ter voltado a figurar no Mapa da Fome entre 2019 e 2021, quando cerca de 3,4% da população estava em situação de fome. O quadro piorou em 2022, com o indicador atingindo 4,2%.

Em 2023, aproximadamente 8,4 milhões de pessoas enfrentaram a fome no Brasil, o que representou uma queda de 4,2% para 3,9%. No entanto, com o país agora abaixo da marca de 2,5%, a FAO não divulgou mais os números absolutos da população em insegurança alimentar.

Esta é a segunda vez que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retira o Brasil dessa condição. A primeira ocorreu em 2014, após 11 anos de políticas de distribuição de renda, como o Bolsa Família.

Durante a campanha de 2022, o presidente Lula prometeu retirar o Brasil do Mapa da Fome novamente até 2026.

Em nota, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou que o resultado foi alcançado devido às políticas públicas implementadas pelo governo desde 2023.

“Mostramos que, com o Plano Brasil Sem Fome, muito trabalho duro e políticas públicas robustas, foi possível alcançar esse objetivo em apenas dois anos. Não há soberania sem justiça alimentar. E não há justiça social sem democracia", afirmou.

Segundo o governo, dados nacionais sobre a fome, obtidos por meio da aplicação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) nas pesquisas do IBGE, mostram que, até o final de 2023, cerca de 24 milhões de brasileiros foram retirados da insegurança alimentar grave.

Em 2023, o Brasil também reduziu a pobreza extrema para 4,4%, alcançando o menor nível da história, retirando quase 10 milhões de pessoas dessa condição em relação a 2021.

Além disso, em 2024, a taxa de desemprego atingiu 6,6%, a menor desde 2012. O rendimento mensal domiciliar per capita alcançou um recorde de R$ 2.020, e o índice de Gini, que mede a desigualdade, recuou para 0,506 — o menor valor da série histórica.

O que é o Mapa da Fome da ONU?

O Mapa da Fome é um indicador da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) que aponta os países onde mais de 2,5% da população sofre de subalimentação grave, situação classificada como insegurança alimentar crônica. Estar no Mapa da Fome significa que uma parcela relevante da população não tem acesso regular a alimentos suficientes para manter uma vida saudável.

A FAO utiliza diferentes métricas para monitorar a segurança alimentar no contexto da Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O principal indicador é a Prevalência de Subnutrição, ou Prevalence of undernourishment (PoU), que mede o percentual da população em risco de subnutrição em cada país.

Quando o percentual de pessoas sem acesso adequado a alimentos ultrapassa 2,5% da população total, o país passa a integrar o Mapa da Fome. O cálculo considera a disponibilidade de alimentos e o acesso da população a uma dieta mínima necessária para a saúde.

O indicador é usado globalmente como referência para políticas públicas de combate à fome e integra os relatórios anuais da FAO sobre a situação alimentar no mundo.

Como é feito o cálculo que coloca ou retira um país do Mapa da Fome?

O PoU, indicador usado pela FAO, é calculado a partir de três variáveis principais: a quantidade de alimentos disponíveis no país, o consumo de alimentos pela população e a quantidade mínima de calorias diárias necessárias para um “indivíduo médio”. O cálculo considera a produção interna, importações e exportações, além das diferenças de renda que impactam a capacidade de aquisição de alimentos.

Uma vez estimada a quantidade total de alimentos disponíveis, a FAO calcula como essa oferta se distribui entre a população, levando em conta que essa distribuição não é igualitária e reflete as desigualdades de renda. Em seguida, determina-se o percentual de pessoas que não têm acesso à quantidade adequada de calorias diárias (kcal/dia) para uma vida saudável. Se esse percentual ultrapassa 2,5% da população, o país é incluído no Mapa da Fome.

O relatório da FAO divulga o PoU sempre em médias trienais. No caso do Brasil, a média 2022/2023/2024 ficou abaixo do limite de 2,5%, mesmo com o ano crítico de 2022. Por esse motivo, o país deixou o Mapa da Fome em 2025, de acordo com a última atualização da organização.

Por que o Brasil saiu do Mapa da Fome?

Segundo a ONU, o Brasil saiu do Mapa da Fome após menos de 2,5% da população estar em risco de subnutrição ou falta de acesso à alimentação suficiente.

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